Mais de 22.000 refugiados passam do Congo para Burundi

Mais de 22.000 refugiados atravessaram a fronteira da República Democrática do Congo (RDC, ex-Zaire) com Burundi para escapar da violência, disseram autoridades. A notícia vem à tona após semanas de choques entre legalistas e rebeldes renegados que ficaram à margem do processo de paz na terceira maior nação africana.Investigadores da ONU divulgaram hoje as primeiras informações detalhadas sobre a violência. Médicos ouvidos por agentes da entidade registraram a morte de 66 civis na tomada da cidade de Bukavu por forças rebeldes renegadas. Outros 77 civis ficaram feridos.Entre os dias 2 e 9 de junho, Bukavu foi ocupada por dois comandantes de um antigo grupo rebelde. O episódio representou um dos maiores reveses já enfrentados pelo governo de união nacional criado para recuperar o Congo de uma guerra civil de cinco anos, encerrada em 2002.A guerra dividiu a RDC em áreas controladas por legalistas e rebeldes, envolveu os Exércitos de outras cinco nações africanas e resultou na morte de 3,3 milhões de pessoas, a maioria por fome e doenças. Apesar de as forças do governo terem recapturado Bukavu no último dia 9, a tensão continua em alta. Autoridades locais admitiram que 22.000 congoleses atravessaram a fronteira com Burundi apenas na semana passada.Membros de grupos étnicos rivais estão sendo mantidos em campos de refugiados separados no país vizinho, principalmente pelo temor de ataques retaliatórios contra membros da etnia tutsi, à qual pertencem os comandantes renegados Laurent Nkunda e Jules Mutebutsi.

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