EFE/EPA/MOHAMMED BADRA
EFE/EPA/MOHAMMED BADRA

Mais de 250 mil crianças estão sitiadas na Síria, diz 'Save the Children'

Segundo o levantamento, algumas delas são obrigadas a se alimentar com ração para animais e capim para sobreviver

O Estado de S. Paulo

09 de março de 2016 | 13h25

DAMASCO - Ao menos 250 mil crianças se encontram sitiadas na Síria, cercadas pelos atores da guerra civil que devasta o país, informou estudo divulgado pela ONG Save the Children nesta quarta-feira, 9. Segundo o levantamento, algumas delas são obrigadas a se alimentar com ração para animais e capim para conseguir sobreviver.

"Pelo menos 250 mil crianças vivem sob um estado de sítio brutal em zonas da Síria que se transformaram em verdadeiras prisões a céu aberto", diz texto. "Encontram-se isolados em relação ao mundo externo, cercados pelos beligerantes que usam o sítio como uma arma de guerra."

Segundo a ONG, o levantamento foi feito com base em depoimentos de civis que fogem do conflito.  Em um reduto rebelde ao leste de Damasco, o relatório descreve crianças morrendo de doenças evitáveis. "Algumas morreram por desnutrição, outros por falta de medicamentos. Aqui, crianças morreram de raiva por falta de vacinas", diz o relatório.

"As doenças de pele e gástricas se espalham, já que o regime cortou o abastecimento de água, e as pessoas se servem da que fica depositada na superfície. Em geral, contaminada pelo esgoto", descreve o informe.

"E as crianças são particularmente afetadas pelas inflamações e infecções pulmonares causadas pelas emanações de fumaça das explosões", completa.

Cuidados em obstetrícia praticamente inexistem. "Muitas das mortes são consequência de hemorragias e da impossibilidade de operar. Os partos acontecem nas casas sem contar com uma parteira", conta Amira, uma mãe de família que vive em uma zona sitiada no norte da província de Homs (centro).

"Algumas crianças morreram, porque não há incubadoras para os recém-nascidos", explica Abud, um assistente de saúde que trabalha perto de Damasco. Muitas famílias entrevistas para o informe dizem que ficam sem comer durante todo o dia.

Atualmente, na Síria, mais de 450 mil pessoas estão sitiadas, de acordo com o Alto Comissariado das Nações Unidas para os Direitos Humanos.Nesta terça, um porta-voz do programa alimentar mundial informou que pelo menos 150 mil delas não receberam qualquer ajuda desde meados de fevereiro. /AFP

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