Mais de 3 mil pessoas morreram na Ucrânia desde abril, diz ONU

Mais de 3 mil pessoas morreram na Ucrânia desde abril, diz ONU

Segundo o último relatório feito por observadores no país, conflito armado no leste privou mais de 5 milhões de direitos fundamentais

O Estado de S. Paulo

08 de outubro de 2014 | 11h09

GENEBRA - Ao menos 3.660 pessoas foram mortas e 8.756 ficaram feridas na crise no leste da Ucrânia entre meados de abril e 6 de outubro, disse o gabinete de Direitos Humanos da ONU, nesta quarta-feira, 8, em um relatório mensal feito por monitores da ONU no país.

Das mortes, 331 foram registradas após o cessar-fogo de 5 de setembro, disse a ONU, embora algumas possam ter ocorrido antes e terem sido registradas apenas depois da data. Segundo o último relatório elaborado pelos observadores na Ucrânia, o conflito armado no leste ucraniano privou mais de 5 milhões de pessoas, residentes nas áreas diretamente afetadas, de seus direitos fundamentais.

De acordo com números atualizados há menos de uma semana, a violência causou o deslocamento forçado de quase 376 mil pessoas.

Os disparos de artilharia, de tanques e de armas de pequeno calibre que continuaram depois do cessar-fogo ocorreram principalmente nos arredores do aeroporto de Donestk, que as forças separatistas pró-russas tentaram invadir, na área de Debaltseve (Donestk) e na cidade de Shchastya (Luhansk).

O acordo de cessar-fogo foi assinado por representantes dos governos da Ucrânia, da Rússia e os líderes das autoproclamadas República Popular de Donestk e República Popular de Luhansk.

A situação geral descrita pelo grupo de 35 observadores da ONU é a de uma população - nas áreas atingidas - privada de todos os serviços essenciais durante quase seis meses, o que fez com que a vida diária tenha se tornado "insustentável" para milhões de pessoas.

Grande parte da população de Donestk e Luhansk sequer tem como ganhar a vida, já que cerca de 40 mil negócios, pequenos e médios, deixaram de funcionar em razão da violência armada. Muitos empresários afetados transferiram suas atividades para regiões da Ucrânia consideradas seguras.

Nas semanas do conflito anteriores à assinatura do acordo, as forças governamentais recuperaram em várias ofensivas o controle de certas áreas. Em algumas delas, a ONU observou o risco de represálias contra pessoas consideradas colaboradores "do inimigo".

O relatório afirma, além disso, que entre os dias 24 de agosto e 5 de setembro, houve "um aumento significativo de detenções por parte de grupos armados" e "relatos alarmantes de torturas e maus tratos dos presos", entre eles execuções e violência sexual.

A ONU também responsabiliza as Forças Armadas e a polícia da Ucrânia de maus tratos aos detidos. / EFE e REUTERS

Tudo o que sabemos sobre:
crise na UcrâniaONU

Encontrou algum erro? Entre em contato

Comentários

Os comentários são exclusivos para assinantes do Estadão.

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.