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Mais de 39 milhões de americanos já votaram

Quem vota com antecedência tem um perfil distinto da média; o resultado depende muito mais da capacidade de atrair o eleitor para a urna no dia da eleição

Helio Gurovitz, O Estado de S.Paulo

06 de novembro de 2016 | 05h00

A eleição já começou nos Estados Unidos. Até ontem, 39,2 milhões de americanos já haviam votado antecipadamente, num eleitorado de 231,6 milhões, segundo o United States Election Project, da Universidade da Flórida. Não se sabe em quem votaram, mas vários Estados divulgam o registro partidário dos eleitores. Nesses, 43% dos votos antecipados eram de democratas, e 35% de republicanos. 

Dá pra deduzir que Hillary Clinton está na frente? Não. Nas eleições de 2012, democratas lideravam a votação antecipada na Carolina do Norte e na Louisiana, republicanos na Pensilvânia e no Colorado – e todos esses Estados foram vencidos pelo adversário.

Quem vota com antecedência tem um perfil distinto da média. O resultado depende muito mais da capacidade de atrair o eleitor para a urna no dia da eleição. Nisso, os democratas levam vantagem: têm o dobro de operações e o quíntuplo de pessoal dedicado ao que, no Brasil, chamaríamos de boca de urna.

Sinais ambíguos para Hillary

Para Donald Trump vencer, precisa levar Flórida, Carolina do Norte, Iowa e Ohio. Também tem de romper a “firewall” erguida por Hillary pelo menos num dos seguintes Estados: Michigan, Wisconsin, Virgínia, Pensilvânia, New Hampshire ou Colorado. Precisará ainda do voto solitário do segundo distrito do Maine (Estado que não atribui todos os delegados do Colégio Eleitoral em bloco, como os demais). Na tabela acima, o estágio da votação antecipada nos eleitorados mais críticos, quando a divisão partidária está disponível.

Nate Silver não descarta Trump

O estatístico-celebridade Nate Silver, conhecido por acertar na mosca as previsões nas corridas presidenciais americanas, é quem atribui a maior probabilidade de vitória a Trump – mais de um terço, pelos números de ontem.

Uma previsão competente…

Duas razões técnicas justificam o palpite de Silver. Primeiro, o alto número de indecisos traz incerteza sobre o que o eleitor fará na urna. Segundo, seu modelo teórico é o único a prever uma falha sistemática nas pesquisas, ao deixar de captar um movimento favorável a Trump. Isso se justifica: na última eleição, erraram na média por quase 3 pontos porcentuais (para menos) a margem de vitória de Barack Obama. 

… ou apenas conveniente?

Dividir o eleitorado em dois terços e um terço também resulta numa previsão conveniente – na prática, a mais confortável para um estatístico. Se Hillary ganhar, ele poderá dizer que acertou. Se perder, poderá dizer que seu modelo foi aquele que chegou mais perto do resultado.

Na dúvida, mande à… Zona Fantasma

Conselho do colunista James Wolcott, da Vanity Fair, a quem quiser preservar os nervos às vésperas da eleição: despache Nate Silver à Zona Fantasma, mande seus e-mails para a pasta de spam. “Não é uma crítica ao próprio Silver, nem a sua metodologia, que não tenho capacidade de criticar, mas à invocação constante do nome dele e dos usos a que suas atualizações se prestam”, disse Wolcott.

A capitalista consciente contra o ‘Brexit’

Dona de uma empresa de investimentos e defensora do “capitalismo consciente”, a empresária Gina Miller, de 51 anos, moveu, financiou e venceu na Justiça a ação determinando que só o Parlamento britânico pode dar início ao “Brexit”. Negra, nascida na Guiana e mãe de três filhos (entre eles, uma deficiente), foi alvo de ataques grotescos nas redes sociais. Não deu bola. “Para mim, (o processo) é uma extensão do meu trabalho filantrópico”, disse ao Guardian.

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