Mais de 40 imigrantes dominicanos morrem em barco à deriva

Imigrantes que passaram quase duas semanas perdidos no mar, sem água nem comida, disseram que mais de 40 pessoas morreram durante a viagem e que pelo menos uma mulher que se recusou a dar leite materno aos passageiros foi jogada ao mar em uma área infestada de tubarões. Parte das 86 pessoas a bordo do barco de madeira com destino ao território americano de Porto Rico entraram em pânico quando os suprimentos acabaram depois de três dias de viagem, disse Faustina Santana. Ela era uma das 39 pessoas encontradas com vida na terça-feira no litoral de Nagua, uma comunidade pesqueira da república Dominicana não muito distante de onde a embarcação partiu. "As pessoas simplesmente pulavam", contou Santana, de 27 anos, em seu leito de hospital. "Elas estavam enlouquecendo." Dos 39 sobreviventes encontrados por pescadores, oito morreram no hospital e diversos estão em condições críticas de saúde. Hoje, três mulheres eram vistas chorando em torno de corpo de um rapaz de 24 anos que morreu de desidratação. Não havia crianças entre as mais de 80 pessoas que subiram a bordo da embarcação. O barco deixou a República Dominicana em 29 de julho e quase chegou à ilha de Desecheo, em Porto Rico, depois de dois dias de viagem. Entretanto, o motor quebrou no segundo dia. O capitão então abandonou o navio, entrou em outro barco de imigrantes e disse que retornaria com ajuda. O capitão não retornou e a embarcação ficou à deriva. Os imigrantes contam que pagaram o equivalente a quase R$ 1.300 pela viagem.

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.