Delil Souleiman/AFP
Delil Souleiman/AFP

Mais de 400 mil pessoas são retiradas de suas casas em três meses na Síria

Sírios que vivem em áreas controladas por rebeldes são obrigados a se deslocar devido a bombardeios do regime de Bashar Assad e de sua aliada Rússia

Redação, O Estado de S.Paulo

26 de julho de 2019 | 09h47

BEIRUTE - Mais de 400 mil pessoas foram obrigadas a deixar suas casas no noroeste da Síria nos últimos três meses por causa de bombardeios do regime sírio e de sua aliada Rússia, anunciou a ONU nesta sexta-feira, 26. Grande parte da Província de Idlib é controlada por um grupo jihadista denominado Hayat Tahrir al Sham (HTS, antigo braço sírio da Al-Qaeda), mas outras facções rebeldes e jihadistas mantêm áreas de controle na região.

"Mais de 400 mil pessoas foram obrigadas a se deslocar desde abril", afirmou à Agência France-Presse um porta-voz da Oficina para a Coordenação de Assuntos Humanitários da ONU (Ocha), David Swanson. As pessoas retiradas de suas casas saíram sobretudo do sul da Província de Idlib e do norte de Hama, de acordo com a Ocha. "Os campos de deslocados estão superlotados e muitos se veem obrigados a instalar-se ao ar livre. Cerca de dois terços destas pessoas estão do lado de fora dos campos."

Em quase três meses, bombardeios mataram mais de 730 civis, dos quais 180 eram crianças, informa o último balanço da ONG Observatório Sírio dos Direitos Humanos. Do total, 103 teriam morrido nos últimos dez dias, entre eles 26 crianças.

A ONU ainda criticou o silêncio da comunidade internacional diante dos fatos, que a alta comissária das Nações Unidas para os Direitos Humanos, Michelle Bachelet, classificou como crimes de guerra. "O governo sírio e seus aliados continuam a atacar instalações médicas, escolas e outras infraestruturas como mercados e padarias", mesmo após apelos para que alvos civis fossem poupados, afirmou ela.

Quase a metade dos 3 milhões de habitantes de Idlib já haviam abandonado seus lares no passado para fugir dos combates em outras zonas da Síria ou para não ficar em regiões reconquistadas pelo regime.

Idlib é bombardeada apesar do acordo firmado em setembro de 2018 entre Rússia e Turquia (que apoia grupos rebeldes) para evitar uma ofensiva de grande alcance contra a província.

A guerra na Síria começou em 2011 diante da repressão brutal a manifestantes que pediam reformas democráticas no país como parte da Primavera Árabe. Até o momento, o conflito já causou mais de 370 mil mortos e milhões de deslocados. EFE e AFP

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