Krista Larson/AP
Krista Larson/AP

Mais de 5 mil foram mortos na República Centro-Africana

O número é mais que o dobro dos 2.000 anunciados pela ONU em abril, quando a missão de paz foi aprovada

Estadão Conteúdo

12 de setembro de 2014 | 15h33

Mais de 5 mil pessoas morreram em atos violentos na República Centro Africana desde dezembro, segundo cálculos da agência de notícias Associated Press, o que sugere que a missão de paz da Organização das Nações Unidas (ONU) que começa na segunda-feira chega tarde para milhares de habitantes do país.

De acordo com a AP, pelo menos 5.186 pessoas foram mortas em conflitos entre muçulmanos e cristãos, considerando a contagem de corpos e dados reunidos por sobreviventes, padres, imãs e voluntários em mais de 50 das comunidades mais atingidas. O número é mais que o dobro dos 2.000 anunciados pela ONU em abril, quando a missão de paz foi aprovada. Não houve uma contagem oficial de mortos desde então.

As missão de paz da ONU chegam ao país na segunda-feira, com cerca de 2.000 tropas. O número é insuficiente e distante dos 7.000 soldados autorizados em abril, sendo que os restantes devem chegar à República Centro Africana no início de 2015. A violência no país, contudo, tem crescido desde então.

"A comunidade internacional disse que queria dar fim ao genocídio, mas messes depois, a guerra não parou", disse Joseph Bindoumi, presidente da Liga de Direitos Humanos da República Centro Africana. "Ao contrário, a situação só piorou."

Foram necessários vários meses para reunir tropas de diferentes países para a missão, principalmente por causa da infraestrutura precária em algumas áreas, de acordo com a porta-voz do Secretariado Geral da ONU, Stephane Dujarric. "Mobilizar tropas para missões de paz leva tempo porque não é como se elas estivessem esperando por nós em Nova York", afirmou Dujarric na quarta-feira.

Muitas mortes no país, que tem cerca de 4,6 milhões de habitantes, não foram oficialmente contadas, especialmente na vasta e remota faixa no oeste, que ainda é perigosa e mal pode ser acessada quando há chuvas torrenciais. A contagem da AP também é uma fração do verdadeiro número de mortes.

O atual conflito se agravou em março de 2013, quando o então presidente, François Bozizé, foi destituído por militantes muçulmanos. O golpe fortaleceu as tensões político-religiosas no país, em que 50% da população é cristã e 15% é muçulmana. Em resposta à ação muçulmana, milícias cristãs iniciaram uma série de ofensivas violentas contra a minoria religiosa.

A violência agora está eclodindo em locais antes estáveis na República Centro Africana, atingindo tanto cristãos quanto muçulmanos. Em Bambari, ao norte da capital, pelo menos 149 pessoas foram mortas em junho e julho, segundo testemunhas. Na área de Mbrès, rebeldes muçulmanos deixaram pelo menos 34 mortos em agosto. Fonte: Associated Press.

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