Mais de 500 jovens são detidos em confronto em Copenhague

Cerca de 3 mil pessoas protestaram neste sábado, 3, contra o fechamento de um centro juvenil de anarquistas, esquerdistas e grupos punk em Copenhague, na Dinamarca, após duas noites marcadas por violência entre jovens e policiais. De acordo com autoridades, mais de 500 pessoas foram presas desde o início dos confrontos, na quinta-feira, sendo 207 somente na madrugada deste sábado. A população foi às ruas pacificamente neste sábado e se instalaram nos arredores do centro juvenil chamado de "Youth House" (Casa da Juventude, em tradução livre para o português), onde uma esquadra desalojou, na quinta, ocupantes ilegais."A idéia de uma sociedade alternativa é boa", declarou Berit Larsen, de 57 anos, que assistiu ao grupo de pacifistas. "Mas a violência que vimos está longe do que considero um modo de vida alternativo", acrescentou ela.Entre outros danas, uma escola teve diversas partes destruídas e prédios foram incendiados a noite toda. "Nós últimos dez anos nós não vimos revoltas como a desses últimos dois dias", disse o porta-voz da polícia, Flemming Steen Munch. A polícia visitou cerca de dez casas em Copenhague com o objetivo de encontrar os rebeldes, revelou ele.PlanejamentoUma famosa estátua da protagonista da animação A Pequena Sereia foi pintada de rosa. A polícia não soube informar se o ato de vandalismo tem relação com a revolta dos jovens. Ativistas estrangeiros vindos da Suécia, Noruega e Alemanha se juntaram às centenas de jovens dinamarqueses em seus protestos violentos, segundo a polícia. Um sinal de que os rebeldes queriam a adesão de pessoas de fora do país pode ser sido um post no site oficial do Youth House que afirma que a polícia dinamarquesa havia "aumentado a segurança nas fronteiras"."Esse foi um ato de ódio e cólera depois de sete anos de luta para manter aquilo que é nossa", expressou Jan, de 22 anos, que faz parte do grupo de jovens do centro. O rapaz não quis revelar seu sobrenome à Associated Press.A revolta teria sido planejada deste o ano passado, quando as cortes ordenaram que habitantes do prédio o entregassem a uma congregação cristã que o comprou há anos. Os moradores se recusaram a deixar o local, usado pelos jovens deste a década de 80, justificando que a cidade não tem o direito de adquirir o prédio, que já recebeu concertos de cantores como Nick Cave e Bjork.

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