Mais de 6 mil corpos já foram encontrados na Índia

Exaustos integrantes de equipes de resgate, usando desde sofisticados instrumentos para cortar concreto até suas próprias mãos, vasculhavam escombros neste domingo, esperando encontrar sobreviventes entre os milhares ainda desaparecidos no forte terremoto que atingiu o oeste da Índia. Mais de 6.000 corpos já foram encontrados desde o tremor da última sexta-feira, e o número de mortos deve subir dramaticamente. Algumas autoridades estimam que serão 10.000 os mortos; outras falam em 16.000 ou mais. Um oficial de resgate afirmou que em apenas uma cidade o número pode ser de 30.000. Enquanto o primeiro-ministro da Índia apelava por ajuda, equipes de resgate e cães farejadores encontraram poucos sinais de vida neste domingo entre a destruição em Gujarat, o estado oriental da Índia que sofreu a força principal do terremoto. Em Anjar, 50 quilômetros a sudeste da cidade mais devastada, Bhuj, uma menina de três anos foi resgatada com vida dos escombros. "Ela estava recitando alguns versos árabes", disse um soldado que participou no resgate da menina. "Ela não tinha nem um arranhão", afirmou. Segundo o Centro de Investigação Atômica de Bhabba, em Mumbay, capítal do Estado de Maharastra (vizinho de Gujarat), houve 275 tremores secundários com intensidade média de 5 graus na escala Richter depois do grande terremoto de sexta-feira (7,9 graus). O epicentro desse abalo ocorreu numa região desértica a 20 quilômetros da cidade de Bhuj, que ficou completamente destruída. Bhuj tem 150 mil habitantes. Era considerada uma das cidades mais bonitas do país, com seus monumentos históricos e edifícios milenares. "Aquilo ali virou uma grande tumba", lamentou Keshubai Patel, secretário do Interior de Gujurat, que sobrevoou a região de helicóptero. "Creio que 90% dos prédios ruíram e metade dos habitantes está sepultada." Até hoje à noite, cerca de 6,5 mil cadáveres haviam sido retirados dos escombros, em sua maior parte de Bhuj. Na medida em que o tempo avança, diminui a esperança de encotrar sobrevivente. Para piorar o quadro, as equipes de socorro são insuficentes, apesar de o Exército indiano ter enviado 5 mil soldados para a zona afetada. Socorristas britânicos, turcos e russos somaram-se aos indianos, mas as equipes não dão conta do trabalho. A televisão indiana mostra a todo instante cenas de desolação e desespero. Parentes das vítimas perambulam chorando pelas ruínas das casas. Alguns cavam freneticamente, com pás, pedaços de madeira a até com as mãos, removendo tijolos, pedaços de concreto, terra e areia em busca de sobreviventes. Centenas de pessoas permanecem diante das ruínas de uma escola pública. Cerca de 400 crianças estavam no interior dela no momento do terremoto, festejando o Dia da Independência. Outros 70 colegiais morreram em Ahmedabad (capital de Gujurat) ao desabar o prédio do colégio Swaminarayan. Só uma dezena foi resgatada com vida. Na mesma cidade, socorristas tentam tirar 19 estudantes de engenharia do meio dos escombros da faculdade de engenharia. "A cada minuto aumenta o número de mortos", disse o secretário do Interior de Gujurat, Keshubai Patel. O governo indiano enviou dezenas de escavadeiras para as cidades atingidas. "Precisaríamos de milhares de máquinas para para diminuir os efeitos dessa tragédia", ressaltou Patel, lembrando que o terremoto de sexta-feira foi o mais devastador desde a independência da Índia, há mais de 50 anos. Segundo ele, os feridos estão sendo transportados para alojamentos improvisados em hospitais de cidades não afetadas pelo fenômeno e Estados vizinhos. O hospital de Bhuj, com cerca de 2 mil leitos, ruiu completamente. As autoridades sanitárias indianas estão muito preocupadas com a morosidade dos trabalhos de remoção dos escombros e retiradas dos cadáveres. Elas temem a ocorrência de epidemias de tifo e outras molestias graves, que podem ter conseqüências ainda mais devastadoras. A região oriental da Índia enfrenta nesta época do ano uma grande oscilação de temperatura. Durante o dia, os termômetros assinalam em média mais de 30 graus; à noite, a temperatura cai bruscamente para 10 graus. "Isso provoca uma rápida decomposição dos corpos, odor insuportável e um considerável aumento do número de insetos", disse um funcionário do Ministério da Saúde, que está preparando campanha de vacinação. Mais de 200 mil pessoas estão desabrigadas. O governo indiano está solicitando ajuda internacional, principalmente doações de barracas, cobertores, agasalhos e medicamentos. O terremoto terá reflexo negativo na economia do país, motivo pelo qual o governo indiano pediu ajuda de US$ 1 bilhão ao Banco Mundial. O ministro-chefe de Gujarat, Keshubhai Patel, disse que 125.000 pessoas ainda estão desaparecidas. Muitas delas podem estar enterradas sob os escombros, mas muitas pessoas fugiram desde o terremoto, temendo ficar em Gujarat. K.N. Mahure, um comandante do corpo de bombeiros responsável pela operação de resgate em Bhuj, afirmou que "pode haver 20.000 a 30.000 mortos" apenas na cidade. Ele baseou sua estimativa no número de desaparecidos e no de corpos já encontrados.

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