Sergei GAPON / AFP
Sergei GAPON / AFP

Mais de 6 mil pessoas já foram presas em protestos na Bielo-Rússia

Manifestantes denunciam violência policial e perseguição por parte das forças de segurança do governo

Redação, O Estado de S.Paulo

12 de agosto de 2020 | 13h55

Mais de 6 mil pessoas já foram presas por participação em protestos contra a reeleição de Alexander Lukashenko na Bielo-Rússia. Após três dias de manifestações, o Ministério do Interior da ex-república soviética confirmou o número de detidos, em meio a denúncias de violência policial e pressão internacional.

De acordo com dados do Ministério do Interior, publicados nesta quarta-feira pelo jornal britânico The Guardian, 3 mil pessoas foram detidas na noite de segunda-feira, 2 mil na terça e outras 1 mil na quarta.

Os protestos foram convocados ainda no domingo, 9, após a comissão eleitoral anunciar a vitória de Lukashenko, com quase 80% dos votos. A principal candidata da oposição, Svetlana Tikhanovskaya, não reconheceu a vitória do "último ditador da Europa" e iniciou uma campanha por pressão popular.

Na segunda-feira, 10, após a primeira jornada de protestos - e os primeiros casos de repressão policial - a oposição unificada anunciou que Svetlana não participaria dos protestos, a fim de evitar uma prisão arbitrária. A professora, que lidera os bielo-russos contrários ao governo, fugiu para a Lituânia, de onde continua tentando articular os atos no país.

A repressão das forças de segurança para tentar conter os protestos é aberta. Vídeos e fotografias de agências internacionais mostram reiterados ataques contra os manifestantes. Dezenas de jornalistas russos foram presos e equipes de reportagem foram atacadas e tiveram suas câmeras quebradas pelos policiais.

Nesta quarta, a alta comissária de Direitos Humanos da ONU, Michelle Bachelet, condenou a repressão às manifestações na Bielo-Rússia e pediu a libertação dos presos. "As pessoas têm o direito de falar e manifestar suas discordâncias, ainda mais em um contexto de eleições, quando as liberdades democráticas deveriam ser mantidas, não suprimidas", disse em um comunicado.

Alvo dos protestos, o presidente reeleito Lukashenko rejeitou as manifestações. "A maioria dos chamados 'manifestantes' são pessoas com um passado criminoso e atualmente desempregadas", disse ele.

O processo eleitoral da Bielo-Rússia sofre denuncias de fraude desde antes da eleição em si. Dois candidatos de oposição foram presos antes do pleito e um terceiro teve que fugir para o exílio para não ser perseguido. Ainda assim, Lukashenko defende que venceu pelo voto popular.

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