Bebeto Matthews/AP
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Nos EUA, 70 milhões já votaram, mais da metade do total registrado em 2016

Do total de cédulas enviadas pelo correio ou depositadas pessoalmente, quase metade é de democratas, 29% de republicanos e o restante não tem filiação partidária; Texas, Califórnia e Flórida são os Estados que mais receberam votos

Beatriz Bulla / Correspondente, Washington, O Estado de S.Paulo

27 de outubro de 2020 | 20h13
Atualizado 27 de outubro de 2020 | 22h03

A uma semana do dia da eleição nos Estados Unidos, 70 milhões de americanos já votaram antecipadamente – o número equivale a mais da metade do total de eleitores que votaram em 2016, segundo dados do U.S. Election Project. Texas (7,8 milhões de votos), Califórnia (7,4 milhões) e Flórida (6,4 milhões) são os Estados que mais receberam votos. 

Os EUA têm 240 milhões de pessoas aptas a votar. Na eleição passada, 55,5% de fato votaram – 138 milhões. Neste ano, as projeções indicam que o comparecimento pode chegar a 65%, um índice que foi atingido pela última vez no início do século passado. 

O aumento do voto antecipado – seja por correio ou presencial – já era esperado, mas os números surpreenderam analistas. A maioria dos Estados flexibilizou as exigências para admitir o voto antes do dia da votação, para evitar aglomerações em razão da pandemia. 

Os democratas têm se mostrado mais propensos ao voto antecipado. Nos Estados que divulgam esses dados, eles representam 48% dos que já votaram. Os republicanos são 29% – o restante não tem filiação partidária. Na Pensilvânia, um Estado crucial para a disputa, o número de eleitores registrados como democratas que já votou é três vezes superior a dos republicanos. Em outros Estados-chave, como Flórida, no entanto, a divisão é mais equilibrada. 

A maioria dos Estados estabeleceu maneiras de enviar o voto ou depositar pessoalmente a cédula em urnas que podem ficar do lado de fora de uma seção de votação. Um dos locais que adotaram esse método é a Geórgia. A eleitora republicana Jane Ragsdale, de 77 anos, foi uma das que preferiu depositar pessoalmente a cédula. 

“Estou com medo de fraude. Não quis colocar no correio porque passaria por muitas mãos”, afirmou a aposentada ao Estadão. Apesar de o voto pelo correio ser uma prática tradicionalmente adotada nos EUA, o presidente Donald Trump tem alegado que o método pode levar a fraude. 

Cerca da metade dos votos antecipados foi registrada nos Estados-chave, onde as duas campanhas mergulharam nos últimos dias. Joe Biden esteve nesta terça-feira na Geórgia, bastião conservador. A última vez que o Estado votou em um democrata foi em 1992. A agenda dos próximos compromissos do democrata inclui Iowa, onde Trump ganhou com folga de Hillary Clinton, mas que também tem se mostrado apertado. 

O ex-presidente Barack Obama também fez comício na Flórida nesta terça-feira, depois de ter feito a primeira participação em eventos com eleitores na semana passada, na Pensilvânia. Os dois Estados são considerados o fiel da balança da disputa deste ano. 

Trump, por sua vez, fez três viagens hoje na tentativa de energizar sua base de eleitores em Michigan, Wisconsin e Nebraska. O republicano venceu os dois primeiros Estados em 2016 por margens apertadas, mas Biden aparece à frente da pesquisa em ambos. 

A larga escala no voto antecipado não é suficiente para saber se o comparecimento na eleição deste ano será maior do que em eleições passadas ou se os eleitores apenas preferiram registrar o voto com antecedência. Há lugares, no entanto, que os sinais são de que mais eleitores irão votar neste ano. 

No Texas, a sete dias da eleição, o número de eleitores que já votaram equivale a mais de 80% do total de votos registrados no Estado em 2016. Fort Worth, nos arredores de Dallas, instalou um drive-thru para que os eleitores depositem as cédulas pelo correio pessoalmente, mas sem descer do carro. Desde que o sistema foi aberto, as filas não param de crescer. 

Apesar de as pesquisas mostrarem que Trump conseguiu diminuir a vantagem de Biden em alguns Estados na última semana, como Texas, Flórida e Arizona, o democrata segue como favorito e cresceu em Michigan e Iowa.

 

Na média das pesquisas nacionais, Biden passou de 10,7 pontos de diferença, há dez dias, para 9,4 pontos agora – um patamar que ele tem sustentado desde junho. Na mesma época, em 2016, Hillary tinha 4,5 pontos a mais do que Trump na média nacional, metade da vantagem registrada por Biden. 

Nos Estados-chave também há diferenças entre a última eleição e a atual. O índice de aprovação de Hillary era baixo, assim como o de Trump. Isso significa que havia eleitores que não gostavam de nenhum dos dois candidatos. Já Biden tem mais de 50% das intenções de voto em três Estados cruciais do Meio-Oeste: Pensilvânia, Michigan e Wisconsin. 

Com menos eleitores indecisos nesta eleição, a chance de surpresas de última hora é menor. Na Pensilvânia, por exemplo, 11% dos eleitores estavam indecisos a uma semana da votação em 2016. Agora, o número de indecisos é menor do que 5%. 

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