AFP PHOTO / ABDULMONAM EASSA
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Ao menos 94 morrem em bombardeios sírios no território rebelde de Guta Oriental, diz ONG

Segundo o Observatório Sírio de Direitos Humanos, as ações, que incluem ataques aéreos e disparos de foguetes, deixaram 325 pessoas feridas

O Estado de S.Paulo

19 Fevereiro 2018 | 14h03

HAMURIA, SÍRIA - Ao menos 94 civis morreram nesta segunda-feira, 19, em bombardeios do regime sírio no território rebelde de Guta Oriental, a leste de Damasco, informou o Observatório Sírio para os Direitos Humanos (OSDH).

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Ataques aéreos, disparos de foguetes e bombardeios em diversas partes de subúrbios sitiados feriram 325 pessoas, de acordo com o OSDH. Até o momento, o Exército sírio não se pronunciou a respeito. O governo de Damasco disse que teve como alvos somente militantes.

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As ações são registradas no momento em que as forças governamentais parecem preparar um ataque terrestre contra o território rebelde. "O regime bombardeia intensamente Guta Oriental com o objetivo de uma ofensiva terrestre", afirmou o diretor do OSDH, Rami Abdel Rahman.

Na véspera, centenas de disparos de foguetes e de artilharia do regime mataram 17 civis, segundo o OSDH. As Forças Armadas sírias tentam retomar o controle de Guta Oriental, uma região controlada pelos insurgentes desde 2012 e último reduto rebelde nos arredores de Damasco.

Antes dos bombardeios desta segunda-feira, vários aviões de reconhecimento sobrevoaram a área, segundo jornalistas da agência de notícias France-Presse que estão no local. O pânico tomou conta dos civis na localidade de Hamuria, que correram para se refugiar em prédios.

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No dia 5 de fevereiro, o regime lançou uma ofensiva aérea de uma intensidade sem precedentes na zona. Em cinco dias, deixou 250 mortos, incluindo civis, e centenas de feridos. As localidades do reduto rebeldes são bombardeadas de maneira intermitente desde então.

Segundo o OSDH, no fim de semana houve negociações para retirar da região o grupo jihadista Hayat Tahrir Al Sham, mas isso não aconteceu. "O fracasso das negociações marca o princípio de uma ofensiva", destacou Abdel Rahman, diretor da ONG. Segundo ele, o regime começou a mobilizar reforços militares em torno de Guta desde o dia 5 de fevereiro.

Guta Oriental está nas mãos de dois dos principais grupos islamistas do país, Jaish Al Islam e Faylaq Al Rahman, que negam estar negociando com o regime. Damasco quer retomar esta área para colocar um fim aos disparos de morteiros e foguetes dos rebeldes em direção à capital.

No domingo, seis foguetes caíram em Damasco, segundo um jornalista da France-Presse, e mataram uma pessoa, informou a agência oficial de notícias Sana. Desde o dia 5 de fevereiro, 20 civis morreram.

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Nesta segunda-feira, os civis de Damasco se preparavam para abandonar suas casas, principalmente nos bairros mais próximos do reduto rebelde. Nas últimas semanas, vários disparos atingiram casas na capital.

"Estamos cansados, mas parece que não há outra solução a não ser uma ofensiva militar final. Estamos esperando por isso há muito tempo. É hora de descansar", afirmou Jawad Al Obros, de 30 anos, que vive com a mãe, o pai e a irmã em um bairro próximo de Jobar, um dos principais frontes na capital, entre o regime e os rebeldes. / REUTERS e AFP

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