Siphiwe Sibeko/Reuters
Siphiwe Sibeko/Reuters

Mais de 70% dos angolanos reelegem José Eduardo dos Santos

Com 84,7% dos votos apurados, presidente concentrava 72,85% das intenções; apesar de protestos, votação é considerada legítima

O Estado de S.Paulo

03 de setembro de 2012 | 03h03

LUANDA - Há quase 33 anos no poder, o presidente de Angola, José Eduardo dos Santos, teve confirmada no domingo, 2, sua vitória nas eleições realizadas na sexta-feira. Com 84,7% dos votos apurados, o líder concentrou 72,85% das intenções dos angolanos, de acordo com as últimas informações da Comissão Nacional Eleitoral do país.

 

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Apesar do protesto de opositores, segundo os quais a votação não reflete a vontade dos angolanos, observadores disseram no domingo que a disputa eleitoral foi legítima. "As eleições gerais em Angola foram livres, justas, transparentes e confiáveis", disse Pedro Verona Pires, ex-presidente de Cabo Verde que liderou a equipe de observação da União Africana. Outras entidades internacionais integradas por países da região também aprovaram o pleito angolano.

Pires ressaltou, no entanto, a necessidade de Angola melhorar o processo de credenciamento de observadores estrangeiros e locais, assim como monitores de partidos. Mais cedo, a legenda opositora União para Independência Total de Angola (Unita) reclamou que cerca de dois mil observadores do partido não receberam credenciais.

 

'Zedu'

 

O governista Movimento Popular de Libertação de Angola MPLA), partido do presidente, havia obtido cerca de 3,5 milhões de votos, segundo os resultados preliminares. "O MPLA é o grande vencedor das eleições gerais de 2012", afirmou o Jornal de Angola, veículo de imprensa oficial angolano, em seu site, quando 75% dos votos haviam sido apurados. "O chefe do partido, José Eduardo dos Santos, é o presidente eleito da república."

Dono de uma personalidade enigmática, "Zedu" - como o líder é conhecido no país - transformou a presidência angolana em uma instituição onipresente em seu território. Na África, sua longevidade no poder só é superada pelo ditador de Guiné Equatorial, Teodoro Obiang Nguema Mbasogo, que assumiu o país africano pouco mais de um mês antes que o angolano, em agosto de 1979. Santos resistiu nas urnas a uma onda opositora iniciada há mais de um ano em que, pela primeira vez na história do país, protestos de rua ocorreram.

De origem marxista, Santos operou mudanças em direção à economia de mercado com intenção de financiar a reconstrução de Angola após 27 anos de guerra civil (1975-2002). Durante os anos de luta, o presidente forjou sua maneira discreta de governar. De olhar plácido e tom contido, o líder limita suas aparições públicas, viaja pouco e raramente concede entrevistas.

Nascido em uma favela de Luanda em 1942, Santos participou brevemente da luta armada contra Portugal, pela independência angolana, em 1961 - ano em que passou a integrar o MPLA. Em 1963, ganhou uma bolsa para estudar engenharia no Azerbaijão, na época uma república soviética. De volta a Angola, Santos tornou-se membro do comitê central do MPLA, em 1975, e chefe da diplomacia do país, já independente. Em 1979, foi eleito presidente, após de servir como vice-premiê de seu antecessor e mentor, Agostinho Neto. / EFE, AFP E AE

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