Bryan Denton/The New York Times
Bryan Denton/The New York Times

75 mil pessoas estão retidas na fronteira entre Jordânia e Síria sem receber ajuda humanitária

Depoimentos mostram que indivíduos sofrem com falta de comida e proliferação de doenças; Anistia Internacional lamenta que autoridades jordanianas bloqueiem comboios

O Estado de S.Paulo

15 de setembro de 2016 | 12h01

BEIRUTE - Cerca de 75 mil refugiados estão retidos no deserto na fronteira entre Jordânia e Síria há quase dois meses sem receber ajuda humanitária, denunciou nesta quinta-feira, 15, a ONG Anistia Internacional (AI) em um comunicado.

A organização entrou em contato com algumas das pessoas que se encontram nessa região, conhecida como "berma", que descreveram um panorama desesperador de sofrimento.

"A situação na 'berma' oferece uma dura imagem das consequências do lamentável fracasso do mundo na hora de dividir a responsabilidade pela crise global de refugiados. O efeito multiplicador deste fracasso foi que muitos moradores da Síria fecharam suas fronteiras às pessoas refugiadas", disse Tirana Hassan, diretora do Programa de Resposta a Crises da AI.

Hassan ressaltou que a comida é escassa e as doenças se proliferam na "berma", onde inclusive algumas pessoas morreram em decorrência de enfermidades que poderiam ter sido evitadas.

A diretora da AI lamentou que as autoridades da Jordânia tenham bloqueado a entrada de ajuda humanitária ao local e não permitam que os deslocados tenham acesso ao reino.

A chegada de assistência à "berma" era limitado, mas cessou totalmente quando a Jordânia fechou as passagens de Rukban e Hadalat após um ataque no dia 21 de julho no qual morreram sete guardas fronteiriços. Desde então, somente uma carga humanitária chegou à área, no início de agosto, para as mais de 75 mil pessoas retidas ali.

A Anistia Internacional citou como exemplo o caso de Abu Mohammed, que está há cinco meses vivendo no campo informal de Rukban. "A situação humanitária é muito ruim, a situação das crianças concretamente é muito ruim. Temos água para beber, mas quase nada de comida ou leite (...) é horrível", relatou o refugiado.

"Morreu muita gente (...). Repartiram apenas arroz, lentilhas e um quilo de tâmaras secas, mas era para todo o mês. Não nos deram mais que isso. O ânimo das pessoas em Rukban está abaixo de zero", acrescentou.

A AI lembrou ainda que na próxima semana os líderes mundiais se reunirão em Nova York, nos EUA, em duas cúpulas de alto nível para falar sobre a população refugiada. ONG exige que as potências façam compromissos concretos para acolher uma porcentagem justa de refugiados, aliviando a pressão que sofrem os países que abrigam um grande número deles. Além disso, a Anistia pede que a Jordânia permita a entrada imediata dos refugiados que estão na "berma". / EFE

Tudo o que sabemos sobre:
SíriaTurquiaRefugiado

Encontrou algum erro? Entre em contato

Comentários

Os comentários são exclusivos para assinantes do Estadão.

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.