(Tamir Kalifa/The New York Times)
(Tamir Kalifa/The New York Times)

Mais de 76 mil imigrantes cruzam fronteira dos EUA em fevereiro

É o maior número em 12 anos, um aumento que expõem as fragilidades dos centros que recebem estrangeiros no país

Sheri Fink e Caitlin Dickerson / THE NEW YORK TIMES , O Estado de S.Paulo

06 de março de 2019 | 05h00

MCALLEN, TEXAS - Pela quarta vez em cinco meses, o número de imigrantes que cruzam a fronteira dos Estados Unidos com o México quebrou recordes, disseram autoridades de fiscalização de fronteira ontem, alertando que as instalações do governo estão lotadas e os agentes sobrecarregados. Mais de 76 mil imigrantes cruzaram a fronteira sem autorização em fevereiro, mais que o dobro dos níveis do mesmo período do ano passado – e o maior em 12 anos.

Desviadas dos postos de entrada regulares nos EUA por causa do aumento de restrições impostas pelo governo do presidente Donald Trump, as famílias de imigrantes continuam a chegar em grupos cada vez maiores em partes remotas de Arizona, Novo México e Texas. 

O aumento do fluxo de imigrantes deve piorar a capacidade de atendimento nas instalações aduaneiras e de controle migratório ao longo da fronteira com o México. Uma média de 2.200 imigrantes por dia cruzam a fronteira de 1.900 quilômetros, muitos deles depois de jornadas extenuantes que os deixam feridos, doentes ou muito desidratados. No entanto, a maioria das instalações não possui acomodações, pessoal ou procedimentos suficientes para fornecer mais do que cuidados básicos de emergência.

Seis adultos morreram sob custódia da Alfândega e Proteção de Fronteiras (CBP, na sigla em inglês) no ano fiscal que terminou em outubro, pelo menos três deles tiveram uma emergência médica logo após serem presos. O número total de mortes poder ser muito maior, já que não há relatórios de óbitos do CBP. 

Uma revisão de registros feita pelo New York Times e dezenas de entrevistas com imigrantes, agentes, pesquisadores e profissionais de saúde sugerem que algumas dessas mortes não foram anomalias, mas sinais de problemas consolidados que colocam os detentos continuamente em risco.

“Eles não são tratados como se a saúde e o bem-estar deles fossem valorizados em qualquer nível”, disse Anna Landau, uma médica de família que trabalha como voluntária em um abrigo de imigrantes administrado pela Catholic Community Services em Tucson, Arizona. “Como você envia pessoas que estão lesionadas, com dor e sofrimento, como você as move como se fossem apenas outro número, e não um ser humano?”

Os imigrantes que atravessam a fronteira do México podem se ferir ao escalar barreiras, em acidentes com veículos, por tiros ou até quase afogamento. Eles podem estar sofrendo de desidratação, exaustão por calor ou doenças transmissíveis. No entanto, as instalações da Patrulha de Fronteira não conseguiram fornecer exames de saúde abrangentes para aqueles sob seus cuidados, nem mesmo medicamentos. 

A agência está construindo um novo grande centro de processamento em El Paso e adicionando US$ 47 milhões a um contrato privado para atendimento médico a imigrantes. “Estamos fazendo tudo o que podemos para garantir atendimento médico rápido quando necessário”, disse Kirstjen Nielsen, secretária de Segurança Interna, na Casa Branca, em janeiro. / TRADUÇÃO DE CLAUDIA BOZZO

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