EFE/ Jean-marc Loos
EFE/ Jean-marc Loos

Mais de 80 túmulos judeus são profanados na França antes de marcha contra antissemitismo

Macron visitou cemitério atacado e prometeu punir responsáveis; país tem a maior comunidade judaica da Europa

Redação, O Estado de S.Paulo

19 de fevereiro de 2019 | 16h22
Atualizado 19 de fevereiro de 2019 | 18h57

PARIS - Milhares de pessoas se reuniram no centro de Paris na noite desta terça-feira (hora local), 19,  em um protesto contra o antissemitismo. A manifestação foi convocada diante do aumento de agressões visando os judeus do país. Horas antes do ato na capital francesa, um cemitério judeu foi alvo de ataque e mais de 80 túmulos foram profanados com pichações de suásticas.

Empunhando cartazes com os dizeres “Basta” ou “Não à banalização do ódio”, os manifestantes se reuniram na Praça da República, no centro de Paris. Simultaneamente, outra manifestação reuniu centenas de pessoas ao norte da cidade e diversos protestos foram organizados pelo país.

A mobilização foi lançada por associações de defesa das minorias, com o apoio do governo e de personalidades politicais. A prefeita Anne Hidalgo, o secretário-geral do Partido Comunista, Fabien Roussel, e vários deputados do partido do presidente, República em Marcha, participaram do protesto.

O ex-presidente François Hollande declarou que “o antissemitismo é um ataque contra a República”. Já o presidente do partido Os Republicanos, Laurent Wauquiez, disse que já estava na hora de colocar um ponto final nas suásticas e nos insultos.

A declaração de Wauquiez faz alusão à agressão visando o filósofo e membro da Academia Francesa Alain Finkielkraut, atacado durante uma manifestação dos “coletes amarelos” no sábado. Ele  também se referia à profanação de mais de 80 túmulos  em um cemitério judeu da localidade de Quatzenheim, um povoado de 800 habitantes no leste da França. Neles, foram pichadas suásticas nazistas azuis e amarelas.

"Tomaremos ações, promulgaremos leis e puniremos" os responsáveis, declarou o presidente Emmanuel Macron, que se dirigiu a Quatzenheim para dialogar com os habitantes consternados após a profanação.

O primeiro-ministro de Israel, Binyamin Netanyahu, denunciou a profanação como um ato "chocante" cometido por "selvagens antissemitas", e chamou os líderes franceses a tomarem uma "forte posição contra o antissemitismo".

O ministro da Imigração israelense, Yoav Gallant, condenou a profanação do cemitério e chamou os judeus da França a emigrarem a seu país. "Voltem para casa, emigrem a Israel", escreveu Gallant no Twitter.

A promotoria de Paris abriu uma investigação preliminar pelos insultos antissemitas contra Finkielkraut. O ensaísta foi chamado, entre outras coisas, de "sionista de merda" por alguns manifestantes que o encontraram em uma rua em pleno centro de Paris.

Macron condenou os "insultos antissemitas" aos quais Finkielkraut foi submetido - "a negação absoluta do que somos e do que nos torna uma grande nação". "Não o toleraremos", apontou.

Dias antes, uma suástica foi pintada sobre um retrato em Paris da ex-ministra Simone Veil, sobrevivente de um campo de extermínio nazista durante a 2ª Guerra que morreu em 2017, e duas árvores que haviam sido plantadas em um subúrbio de Paris em memória de um jovem judeu assassinado em 2006 foram encontradas destroçadas.

Esses atos ilustram um aumento, no último ano, dos ataques antissemitas na França, o país que tem a maior comunidade judaica da Europa.

Aumento dos ataques

O número de atos antissemitas disparou 74% na França em 2018, totalizando 541, contra 311 em 2017, segundo cifras publicadas na semana passada pelo Ministério do Interior.

A Alemanha também registrou em 2018 um forte aumento de atos antissemitas, com 1.646 registrados, seu nível mais alto em quase dez anos.

Macron indicou que apresentará seus planos para combater o antissemitismo durante um discurso no jantar anual da associação CRIF, que reunirá grupos judaicos franceses na quarta-feira. 

Mas resistiu aos chamados de alguns legisladores para penalizar as declarações antissionistas que põem em questão o direito de Israel de existir como nação. / AFP 

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