EFE/ Maxim Shipenkov
EFE/ Maxim Shipenkov

Mais de 800 pessoas são detidas durante protesto da oposição em Moscou

Manifestação exigia a inscrição de candidatos da oposição nas eleições locais de 8 de setembro

Redação, O Estado de S.Paulo

04 de agosto de 2019 | 02h06

MOSCOU - Mais de 800 pessoas foram detidas neste sábado, 3, em Moscou, durante um protesto da oposição, que denuncia há semanas a exclusão de seus candidatos das eleições locais de setembro.

Segundo a ONG OVD-Info, especializada em acompanhar as manifestações, 828 pessoas foram detidas no protesto, não autorizado, que reivindicava que mais candidatos da oposição possam participar das eleições locais de 8 de setembro, em Moscou.

No último fim de semana, outra manifestação, também reprimida, terminou com 1,4 mil detidos, o que não ocorria desde o retorno do presidente Vladimir Putin ao Kremlin, em 2012.

Centenas de pessoas se concentraram no centro de Moscou, que estava cercado por policiais e soldados da Guarda Nacional. "Vieram e prenderam sete pessoas bem na minha frente", declarou Olga Yakovleva, de 50 anos, sentada em um banco de praça junto à via onde aconteceu o protesto. "Fiquei sem palavras, eram apenas pessoas que estavam sentadas conversando."

Uma das principais opositoras russas que permaneciam em liberdade, Liubov Sobol, uma advogada de 31 anos, foi detida minutos antes do início da manifestação. "As autoridades fazem todo o possível para tentar intimidar a oposição, para assegurar que as pessoas não saiam às ruas para protestar pacificamente", declarou antes da detenção.

A ONG Anistia Internacional condenou o "uso desnecessário e excessivo da força" e as "tentativas infundadas" de apresentar manifestações pacíficas como um ato de rebelião.

Líderes detidos

O principal opositor ao Kremlin, o blogueiro e ativista anticorrupção Alexei Navalny, cumpre desde 24 de julho uma pena de 30 dias de prisão. Hospitalizado no domingo por uma "grave reação alérgica", ele não descartou a possibilidade de ter sido "envenenado". Ele já foi levado de volta para a prisão. 

Vários de seus aliados e outros líderes opositores também foram condenados a penas curtas de prisão, como Ilia Yashin, Ivan Jdanov e Dmitri Gudkov, candidatos excluídos das eleições locais.

Antes do protesto deste sábado, a justiça acusou diversas pessoas por "distúrbios em massa", uma dura acusação que pode resultar em penas de até 15 anos de prisão. Cinco acusados, incluindo advogados que trabalham para ONGs de defesa dos direitos humanos, foram colocados em prisão preventiva na sexta-feira e aguardam julgamento.

A polícia pediu que os manifestantes desistissem da passeata e prometeu uma reação imediata. O prefeito de Moscou, Serguei Sobianin, alertou a oposição para qualquer "nova provocação".

Eleições de setembro

O descontentamento foi provocado pela rejeição das candidaturas independentes para as eleições locais de 8 de setembro. 

Na quinta-feira, o Fundo de Luta Contra a Corrupção de Navalny acusou em uma investigação a vice-prefeita de Moscou, Natalia Sergunina, de ter desviado bilhões de rublos de dinheiro público para a gestão do parque imobiliário do município.

A oposição afirma que as autoridades querem bloquear seus candidatos nas eleições de setembro para evitar que, caso entrem no Parlamento de Moscou, descubram e denunciem os circuitos de corrupção e desvio na gestão de uma cidade com um orçamento anual astronômico de 38 bilhões de euros (42 bilhões de dólares).

A justiça anunciou neste sábado que abriu uma investigação por "lavagem de dinheiro" contra o Fundo de Navalny. Os investigadores acusam o opositor de ter recebido ilegalmente quase um bilhão de rublos (13,8 milhões de euros, 15,3 milhões de dólares).

Após um protesto duramente reprimido na semana passada, os tribunais russos ordenaram a detenção preventiva para 88 pessoas e condenaram outras 332 ao pagamento de multas. Três investigações foram abertas por "violência" contra a polícia, delito que pode ser punido com cinco anos de prisão. / AFP

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