Mais de cem franceses podem fazer parte da Al-Qaeda

Os serviços secretos franceses estão confirmando a possibilidade da existência de mais de cem franceses entre os voluntários da Al-Qaeda, essa "legião estrangeira" que luta ao lado de Osama bin Laden no Afeganistão.O primeiro a levantar essa hipótese foi o jovem francês Abdur Rehman, cuja verdadeira identidade deveria ser revelada ainda nesta terça-feira pelos agentes franceses enviados ao Paquistão para interrogá-lo num hospital, após sua prisão em Tora Bora.Seu itinerário foi o mesmo de centenas de outros islâmicos nascidos na França, filhos de imigrantes do norte da África, mas que foram facilmente recrutados por doutrinadores fundamentalistas que se aproveitam do fato de esses jovens se sentirem discriminados na França.Esse sentimento antiocidental e antifrancês pôde ser constatado recentemente, durante uma partida de futebol amistosa entre França e Argélia em outubro, a primeira desde o fim da guerra pela independência deste país africano.Com o estádio lotado por um público de 80 mil pessoas, a maioria de franceses filhos de imigrantes magrebinos, os campeões do mundo foram recebidos com fortes vaias no momento em que era entoado o hino nacional, a Marselhesa, ainda antes do início da partida.Esse fato inesperado surpreendeu os companheiros de Zidane e deixou perplexo o próprio primeiro-ministro Lionel Jospin, que estava na tribuna de honra.Um fato grave, que passou relativamente despercebido da mídia internacional por causa da imensa repercussão dos atentados de setembro nos Estados Unidos, que concentravam todas as atenções da opinião pública.O incidente foi apenas um exemplo da reação dessa população que vive nos subúrbios dos grandes centros do país, em Paris, Lyon, Marselha, Estrasburgo, onde as condições de segurança são cada vez mais precárias e as revoltas dos jovens mais freqüentes, incendiando veículos e enfrentando a repressão policial.Agentes do Grupo Islâmico Armado (GIA), da Argélia e da Al-Qaeda, recrutam seus voluntários na Europa, junto a esse grupo social.Os serviços secretos acreditam que entre 300 e 500 franceses teriam passado nos últimos anos pelas escolas islâmicas que estudam o Alcorão no Paquistão.A Direção Central da Polícia Judiciária traçou a trajetória desses jovens fascinados pelo terrorismo. Recrutados na França, os recém-convertidos, formados no Afeganistão ou mesmo na Bósnia, constituem parte da legião estrangeira de Bin Laden ou do GIA argelino.Uns preferiram ficar na Europa e se interessam pela preparação de atentados. Foi o caso de Djamel Beghal, suspeito de ser o chefe do comando que deveria praticar um atentado suicida contra a Embaixada dos EUA em Paris.Outros se dedicam a operações especiais, como Zacarias Moussaoui, suspeito de ser o 20º homem que faltou ao embarque de um dos aviões seqüestrados no dia 11 de setembro.Só os que melhor resistem à fase de treinamento intensivo, sobreviventes das difíceis provas físicas e psicológicas, como Abdur Rehman, partem para países em conflitos para apoiar as ações de seus irmãos muçulmanos.Os serviços secretos franceses estimam em 25 mil o número de voluntários prontos a pegar em armas e morrer pela causa.Leia o especial

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.