Mais de cem somalis desaparecem na costa do Iêmen

Mais de cem imigrantes da Somália estão desaparecidos e podem ter morrido afogados na costa do Iêmen, após terem sido jogados de uma embarcação clandestina por traficantes nas águas do Golfo de Áden, informaram hoje funcionários do governo do Iêmen à agência de refugiados da Organização das Nações Unidas (ONU). Segundo um oficial da segurança iemenita, até agora, 30 corpos foram encontrados nas praias do país.Em genebra, o porta-voz da agência da ONU para os refugiados, Ron Redmond, disse que o barco deixou a Somália com 150 imigrantes clandestinos, na segunda-feira. Mais tarde, quando o barco estava a cinco quilômetros do litoral do Iêmen, os traficantes de imigrantes jogaram todos no mar, com exceção de 12, que foram postos em um pequeno bote. Segundo ele, todos os outros tentaram nadar até a praia, mas apenas 47 conseguiram chegar vivos e alertaram as autoridades.Um oficial iemenita afirmou que entre cem e 118 imigrantes devem ter se afogado. Os 30 corpos encontrados foram sepultados em Shabwa, seguindo o costume islâmico de um rápido funeral, informou sob anonimato um outro funcionário do país. Ele se mostrou cauteloso em dizer se os 30 corpos encontrados vinham do mesmo barco. Durante a primeira metade de setembro, cerca de 165 corpos foram encontrados nas praias do Iêmen e enterrados, informou o Ministério do Interior, em comunicado.As águas do chamado "Chifre da África" e do Iêmen, no sul da Península Arábica, estão entre as mais inseguras e perigosas do mundo, infestadas por piratas somalis - que recentemente seqüestraram um cargueiro ucraniano, que transportava mais de 30 tanques russos. A área também é um ponto de cruzamento de imigrantes clandestinos da África, que fogem aos milhares da guerra na Somália e da miséria em outros países e tentam chegar ao Iêmen.Relatos sobre abusos, brutalidade e violência dos traficantes de imigrantes são comuns no tráfico de pessoas na região do Golfo de Áden. Muitas vezes, os imigrantes são atacados durante a travessia por traficantes e piratas e jogados em águas infestadas por tubarões. O alto comissário da ONU para refugiados, Antonio Guterres, disse que o número de travessias dobrou "na atual estação".Dados de 2008Até agora em 2008, 32 mil africanos conseguiram chegar ao Iêmen em barcos, a maioria, disse Guterres, vinda do Chifre da África. O Ministério do Interior do Iêmen afirma que 22,5 mil imigrantes somalis chegaram ao país neste ano. O alto comissariado da ONU estima que pelo menos 230 imigrantes morreram ou foram mortos na travessia e outros 365 estão desaparecidos, incluídos os mais de cem que foram jogados do barco nesta semana."Essa é uma das piores e mais dramáticas situações no mundo", disse Guterres em coletiva de imprensa. "O resgate no mar é uma das áreas na qual os governos precisam fazer investimentos maciços", afirmou. "A maneira como os traficantes de imigrantes tratam as pessoas é totalmente ultrajante e desumana, corresponde a um dos piores crimes que já vimos nesse mundo até agora", disse. Ele instou a comunidade internacional a olhar "não apenas para o problema da pirataria na Somália, mas também para essa situação de tráfico humano no Golfo de Áden".

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