Jerome Favre/EFE/EPA
Jerome Favre/EFE/EPA

Mais de mil manifestantes se reúnem no aeroporto de Hong Kong em novo protesto

Para chamar a atenção de turistas, cartazes e cantos foram feitos em inglês, com alertas de que a ilha não é mais um 'lugar seguro', após episódios de violência em atos no fim de semana passado

Redação, O Estado de S.Paulo

26 de julho de 2019 | 08h41

HONG KONG - Mais de mil manifestantes se reuniram nesta sexta-feira, 26, no Aeroporto Internacional de Hong Kong, vestindo camisetas pretas. O ato é uma nova repercussão do movimento anti-governista, após a ocorrência de atos violentos durante a semana.

Os manifestantes gritavam “Liberte Hong Kong”, além de outros slogans pedindo uma investigação em relação à repressão violenta da polícia e dos ataques de gangues infiltradas nos protestos. Enquanto passageiros do aeroporto saíam no saguão de desembarque, eram rodeados por pessoas segurando cartazes com alertas de que Hong Kong deixou de ser um lugar seguro.

Diferentemente de protestos anteriores, os manifestantes no aeroporto escreveram cartazes e panfletos majoritariamente em inglês, enquanto gritavam alternadamente em cantonês e inglês.

Apesar do território ter enfrentado a maior onda de manifestações nas últimas semanas, a intabilidade aumentou no domingo, quando grupos de homens vestindo camisetas brancas atacaram manifestantes em uma estação de metrô, deixando dezenas de feridos. A polícia levou mais de meia hora para chegar ao local, apesar de ter recebido cerca de 24 mil chamados de emergência sobre o incidente.

A polícia defende sua resposta aos protestos, que incluiu o uso de gás lacrimogênio para conter os manifestantes. Além disso, afirmou que seis pessoas envolvidas no incidente do metrô foram presas.

As autoridades temem nova onda de protestos violentos no fim de semana. Organizadores de um ato no sábado pretendem ir ao mesmo local onde houve o ataque no metrô, e afirmaram que irão manter o ato mesmo sem a polícia ter autorizado o evento, afirmando que qualquer um que aparecesse estaria contrariando a lei.

Mais cedo nesta semana, o governo chinês considerou a possibilidade de uso de forças militares para tentar controlar a situação em Hong Kong.

Nesta sexta, manifestantes seguravam tablets no aeroporto, mostrando imagens do ataque de domingo. Apesar da movimentação, não houve relatos de voos atrasados ou de imprevistos para os passageiros. As autoridades demarcaram uma área específica onde os manifestantes poderiam ficar.

A região, que pertence à China, tem enfrentado a maior onda de manifestações nas últimas semanas, desde que a governante do território, Carrie Lam, apontou que iria sancionar projeto de lei de extradição que permitia que criminosos em Hong Kong fossem extraditados para julgamento na China. As cortes no país são comandadas pelo Partido Comunista, que além de estipular punições mais severas, também pode viabilizar a condenação de opositores políticos do governo.

Hong Kong, uma ex-colônia britânica, é regido pela fórmula “um país, dois sistemas”, assim contendo independência jurídica e política da China. Lam, com a intenção de sancionar a lei, mostrou aliança ao governo do presidente Xi-Jinping, o que não agradou os moradores da região. Apesar de Lam ter declarado no dia 8 de julho que a lei estaria “morta”, o projeto não foi oficialmente arquivado, uma demanda primordial dos manifestantes. Agora, eles também pedem a renúncia de Lam, além de um inquérito para investigar a atuação da polícia e das gangues nos protestos.

Há sinais de que a onda de manifestações esteja ganhando uma dimensão internacional, com protestos agendados em diferentes regiões da Austrália neste fim de semana. A movimentação no país começou após estudantes chineses e de Hong Kong entrarem em confronto em uma universidade. Os chineses declararam que ficaram “ofendidos” com a propaganda contra o país feita por aqueles originários de Hong Kong. / W. POST

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