Mais de um milhão saem às ruas na França

Estudantes, membros de sindicatos e de partidos políticos franceses conseguiram mobilizar ontem mais de 1 milhão de manifestantes nas ruas de Paris e de 160 outras cidades do país contra o Contrato Primeiro Emprego (CPE), lei que reduz os direitos trabalhistas para incentivar a contratação de jovens. Os protestos obrigaram o primeiro-ministro Dominique de Villepin, o mentor da lei, a anunciar para as próximas horas ?um gesto significativo do governo?. O objetivo agora é restaurar a calma, depois de uma semana de manifestações, muitas das quais terminaram de forma violenta. No começo da semana passada, o governo insistia que não mudaria um centímetro do que já havia sido aprovado. Mas, no final da semana, diante dos protestos, decidiu reabrir negociações. Estudantes e trabalhadores pedem ao governo que suspenda o contrato destinado aos menores de 26 anos e que permite às empresas demiti-los sem nenhuma justificativa durante os primeiros 24 meses. Atrás de um cartaz com o lema "Suspensão do contrato de primeiro emprego", os principais líderes sindicais abriram o cortejo parisiense na Praça Denfert-Rochereau, de onde seguiram para a Praça da Nação. Os sindicatos exigem que o Executivo suspenda o CPE antes de dialogar sobre as modalidades de incentivo do emprego com os jovens, entre os quais a taxa de desemprego supera os 22%. "Primeiro, devem suspender o CPE e, depois, abriremos as negociações sobre a situação problemática do emprego entre os jovens", disse o secretário-geral do sindicato CFDT, François Chéréque. Mais forte Os sindicatos de trabalhadores se uniram às associações de estudantes, que mantêm há várias semanas sua oposição ao CPE com manifestações e bloqueios de universidades. O líder do sindicato estudantil Unef, Bruno Julliard, assegurou que a manifestação deste sábado mostra "que a mobilização é mais forte a cada dia". Em outras cidades francesas, a manifestação ocorreu antes, com dados de participação desencontradas, dependendo da fonte - a polícia ou os organizadores. A manifestação mais importante ocorreu em Toulouse, no sul da França, com 21 mil pessoas, segundo a Polícia, e 45 mil, de acordo com os organizadores.

Agencia Estado,

18 Março 2006 | 14h20

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