Mais mortes violentas em Uganda do que no Iraque

O número de mortes violentas na guerra travada no norte da Uganda é três vezes maior do que no Iraque, e a insurgência no país africano, que já dura 20 anos, custou US$ 1,7 bilhões, segundo informa um relatório realizado por organizações não governamentais. No norte da Uganda, cerca de 146 pessoas morrem por semana, em meio uma população de 5 milhões de habitantes, ou 0,17 mortes violentas a cada 10 mil pessoas por dia. O índice é três vezes maior do que no Iraque, onde desde a invasão liderada pelos Estados Unidos, 0,052 pessoas morrem por dia para cada grupo de 10 mil habitantes, afirma um relatório produzido por uma coalizão de ONGs chamada Organizações da Sociedade Civil para a Paz no Norte da Uganda. "O governo ugandense, o exército rebelde e a comunidade internacional devem reconhecer a profunda escala de horror da situação no norte da Uganda", disse a conselheira da Oxfam, Kathy Relleen. A Oxfam é uma das organizações que realizou o relatório. A insurgência deixou quase dois milhões de pessoas sem casa, forçando-as a viver em acampamentos controlados pelo governo. O Exército de Resistência do Senhor, o LRA (sigla em inglês), seqüestra regularmente crianças, usando meninos como soldados. O relatório estima que 24 mil crianças foram capturadas durante a guerra, que já custou US$ 1,7 bilhões nas últimas duas décadas, o equivalente ao total de ajuda humanitária doada pelos Estados Unidos entre 1994 e 2002. "O governo de Uganda deve agir de forma ativa e sem atrasos, para garantir a proteção efetiva dos civis e trabalhar com todos os lados para assegurar uma paz justa e duradoura", disse Relleen. Outro lado Um porta-voz do governo afirmou que o relatório descreve um cenário enviesado e que desconsidera os esforços realizados recentemente pelo governo. "Os números não levam em conta que não há violência significativa no Norte da Uganda desde 2003", afirmou o encarregado do centro de mídia do governo, Robert Kabushenga. Kabushenga disse que o relatório desconsiderou o fato de 17 mil crianças terem sido resgatadas do LRA. O chefe humanitário da ONU, Jan Egeland, deve visitar a Uganda na sexta-feira para reunir-se com ONGs, ministros e oficiais da ONU com base no país, antes de percorrer um acampamento onde vivem as vítimas dos conflitos. Conflitos O país tem sua história marcada por conflitos entre o governo e exércitos rebeldes. Em janeiro de 1986, o Exército de Resistência Nacional (NRA) tomou o poder e estabeleceu seu líder, Yoweri Museveni, como presidente, posto que ocupa atualmente. Desde 1988, o Exército de Resistência do Senhor (LRA), grupo rebelde liderado por Joseph Kony e que baseia sua luta em preceitos bíblicos, enfrenta o governo em uma guerra que já deixou milhares de mortos.

Agencia Estado,

29 Março 2006 | 17h37

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