Bloomberg/O Estado de S.Paulo

21 de janeiro de 2014 | 02h04

Se uma coisa funciona uma vez, por que não repeti-la? Essa seria a lógica por trás de uma medida do Congresso americano para impor novas sanções contra o Irã. Ao ter suas exportações de petróleo reduzidas, a república islâmica concordou com limitações preliminares ao seu programa nuclear. Assim, mais sanções produzirão limitações maiores no longo prazo. Até aqui, temos dois problemas. A teoria não se sustenta muito bem e ignora a realidade. Quanto à teoria: uma punição produz resultados quando o receptor tem uma expectativa de que sua obediência dará um fim à punição. O projeto de lei 1881 do Senado, que com 59 copatrocinadores já tem apoio quase suficiente para derrubar um possível veto do presidente Barack Obama, privaria o Irã dessa expectativa.

A realidade também é confusa. De acordo com o projeto, sanções para eliminar todas as exportações de petróleo iraniano entrariam em vigor a menos que Obama garantisse que o Irã cumpre várias condições, que vão além da realidade possível.

Se o projeto virar lei, o Irã o entenderá como um meio de subverter o esforço diplomático de Obama para alcançar um pacto abrangente. Se o diálogo falhar, os EUA serão considerados culpados, enfraquecendo sua capacidade de manter sanções que eles orquestraram. Nesse caso, os patrocinadores da lei não teriam nem justificativas históricas para sua medida, quanto mais razões realistas.

TRADUÇÃO DE CELSO PACIORNIK

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