Mais seguro, Haiti vai às urnas

Haitianos renovam um terço do Senado com índice de homicídio em queda e sinais de recuperação econômica

Damaris Giuliana, O Estadao de S.Paulo

18 de abril de 2009 | 00h00

Os haitianos vão às urnas hoje para o primeiro turno da eleição que escolherá 12 dos 30 senadores, cumprindo o calendário eleitoral que prevê a renovação de um terço do Senado a cada dois anos. Mas, desta vez, as eleições estão atrasadas e, além das vagas previstas na lei, mais duas foram abertas por causa da morte de um senador e o afastamento de outro, por ter dupla nacionalidade.O clima, às vésperas da eleição, era de tranquilidade. A sensação de segurança aumentou na capital haitiana em quase cinco anos da Missão das Nações Unidas para a Estabilização no Haiti (Minustah). Em muitos lugares, nem os militares usam capacetes e coletes à prova de balas.Os índices totais de criminalidade, registrados pela Polícia da ONU (Unpol), porém, apontam aumento da violência. Já na capital, demonstram queda apenas nos homicídios.Essa, porém, não é a avaliação do coronel Gerson Gomes, porta-voz do batalhão brasileiro de Força de Paz."Muitos casos, talvez a maioria, não foram notificados (nos anos anteriores), pois ainda não havia o controle legal de certas áreas de Porto Príncipe. Muitas instituições não funcionavam a contento, incluindo a própria Polícia Nacional do Haiti (PNH), que começou a ser reestruturada desde então", disse o coronel.A consolidação da PNH, ao menos em números, deve acontecer até 2011, quando atingirá um quadro de 14 mil homens. A qualidade do serviço que conseguirão realizar, entretanto, é uma questão que nenhum membro da Unpol responde.Segundo o tenente médico Leonardo Silveira de Castro, que atende a população numa base militar na favela de Bel-Air, boa parte das pessoas que o procuram são vítimas de violência doméstica. Embora os casos sejam bastante graves, não são contabilizados pela PNH, que acredita que até as mutilações e mortes não passam de "problemas familiares".A ONU tenta convencer a PNH da importância de se implementar delegacias da mulher, com policiais femininas especializadas. Uma delas deve ficar na base de Bel-Air.Visitando o local, a reportagem testemunhou a chegada de militares brasileiros com um detido por porte de maconha. O homem, sem documentos, disse se chamar Jeanty Wilianson e ter 28 anos.Apesar de dominado e cercado por quatro militares, Jeanty teve os cabelos puxados com truculência. Ao perceber os registros fotográficos da reportagem, um militar chamou a atenção do soldado: "Gustavo!", tentando disfarçar o fato de que queria avisá-lo. Na avaliação do coronel Gerson, o Judiciário está progredindo. "Hoje, os juizados de paz estão funcionando bem, a escola de magistratura foi aberta, os quadros da Justiça foram refeitos e a tendência é haver uma melhora na questão dos direitos humanos."Componente importante da relativa melhora na situação do país, os haitianos começam a pedir trabalho em vez de comida - como costumavam fazer anos atrás. Um símbolo desse novo status são os "orelhões" - na verdade, telefones fixos que funcionam como móveis -, cujas bancas se espalham pelo Haiti.A repórter viajou a convite do Exército brasileiro

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