REUTERS/Carlos Barria
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Mais sofisticados, mercados se multiplicaram na Coreia do Norte

Estabelecimentos privados garantem o sustento de 4 milhões, cerca de um terço da população do país 

Cláudia Trevisan, Correspondente / Washington , O Estado de S.Paulo

17 Setembro 2017 | 05h00

WASHINGTON - Maior expressão do capitalismo na Coreia do Norte, os mercados privados se multiplicaram nos últimos anos e sustentam 4 milhões de pessoas, um terço da população que vive nas cidades, segundo estimativa de estudo do Daily NK.

Realizado ao longo de dois anos com base em relatos de uma rede de informantes, o levantamento identificou 387 mercados legais, onde trabalham 600 mil pessoas. Outras 400 mil vendem mercadorias em locais tolerados pelo Estado. Se for considerada a média de 4 integrantes por família, chega-se ao número de 4 milhões.

A reportagem do Estado esteve em um desses mercados em 2013. As transações são feitas em dinheiro vivo – e não em cupons – e a oferta vai de alimentos a produtos falsificados “Made in China”, passando por eletrônicos, cosméticos e roupas. O comércio é dominado por mulheres casadas, que não têm obrigatoriedade de cumprir expediente nas estatais. 

“Vários ocupantes de baixo escalão ou do aparato de segurança delegam a administração dos negócios a suas mulheres, que usam a influência política e administrativa de seus maridos”, escreveu Andrei Lankov em estudo divulgado pelo Carnegie Endowment for International Peace. “Não é coincidência que a sabedoria popular dos casamenteiros veja com bons olhos a união de filhos de funcionários do Estado com as filhas de comerciantes.”

A necessidade de distribuição de produtos nos mercados deu origem a serviços de transportes de carga fora da estrutura estatal. E os que podem pagar têm acesso a seis companhias privadas de táxis na capital. 

Empreendedores privados também estão por trás de restaurantes e cafés em Pyongyang, nos quais o atendimento e a comida são comparáveis a um padrão médio na China ou no Ocidente. Quem tem dinheiro, pode tomar Nespresso. Desde abril, a emergente classe média também pode fazer compras na Miniso, rede japonesa que se tornou a primeira empresa estrangeira a fincar sua bandeira na Coreia do Norte. 

 

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