Mais um barco com imigrantes naufraga no Mar Mediterrâneo

Organização Internacional de Migrações disse que recebeu um chamado de um barco com 300 pessoas e que estaria afundando

Jamil Chade, O Estado de S. Paulo

20 de abril de 2015 | 09h35

GENEBRA - Um dia depois do pior desastre no Mar Mediterrâneo com imigrantes e que pode ter deixado 700 mortos, um novo naufrágio acontece neste momento também envolvendo estrangeiros que tentam chegar à Europa.


Em um comunicado emitido em Genebra, a Organização Internacional de Migrações (OIM) alertou que seus funcionários na Itália receberam um chamado de um barco com 300 pessoas e que estaria afundando. Pelo menos 20 pessoas já teriam morrido. 


As pessoas que lançaram o apelo alertaram que precisariam de pelo menos três barcos para resgatar os passageiros. 


A OIM indicou que entrou em contato com a Guarda Costeira italiana. Mas Roma informou que não teriam meios para chegar até o barco neste momento, diante das operações de resgate envolvendo o barco com 700 pessoas que naufragou no fim de semana.


A previsão é de que barcos comerciais sejam agora chamados a se dirigir ao local para tentar encontrar sobreviventes. 


Na Grécia, outro barco também naufragou hoje, com três mortos. Os acidentes ocorrem quando  ministros europeus foram convocados de emergência hoje em Luxemburgo para tratar do drama. Diante de um número cada vez maior de mortes, a UE está sendo pressionada pela ONU e por ongs a voltar a implementar operações de resgate. 


O governo italiano também fez um apelo por solidariedade e quer que o tema da imigração seja assumido por todo o bloco, e não apenas os países do Sul. 


"Não existe mais álibi para a Europa", declarou a chefe da diplomacia europeia, Federica Mogherini, antes da reunião. "Temos o dever moral e político de assumir nosso papel. O Mediterrâneo é nosso mar e precisamos agir juntos como europeus". 


Ela também admite que é a credibilidade da Europa que está em jogo. "Achar uma solução também é de nosso interesse e do interesse de nossa credibilidade. A Europa foi construída em torno da proteção dos direitos humanos e precisamos ser consistentes com isso". 


Mas na Frontex, a agência de contrôle de fronteiras da UE, o tom ainda é de que apenas operações de resgate não solucionará. Para o diretor Fabrice Leggeri, " não se trata apenas de um tema de imigração, mas um assunto de geopolítica internacional ", alertou.  


Ele ainda colocou em dúvida o número de 700 desaparecidos e pediu que ongs tivessem " responsabilidade " ao apresentar suas versões do drama. O número, porém, foi apresentado pela ONU. 

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