REUTERS/Marco Bello
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Mais um jurista venezuelano pede proteção à embaixada do Chile

Luis Marcano Salazar se tornou o 5º juiz da Venezuela a procurar a representação chilena no país para evitar, entre outras coisas, sua prisão; além deles, um dirigente do do partido social-cristão (Copei) também está 'refugiado' na casa do embaixador

O Estado de S.Paulo

04 Agosto 2017 | 12h00

SANTIAGO DO CHILE - O ministro das Relações Exteriores do Chile, Arauto Muñoz, afirmou na quinta-feira que mais um magistrado designado pelo parlamento para integrar Tribunal Supremo de Justiça (TSJ) da Venezuela entrou na residência do embaixador chileno em Caracas solicitando proteção, o que eleva o número de pessoas "refugiadas" na sede diplomática para seis.

O chanceler chileno escreveu no Twitter que o advogado Luis Marcano "entrou na residência em Caracas solicitando proteção do Chile e, com ele, já são seis pessoas refugiadas na embaixada".

Um comunicado do Ministério de Relações Exteriores do Chile detalhou que Luis Marcano Salazar, designado como magistrado pela Assembleia Nacional, que é controlada pela oposição, também ingressou nesta quinta-feira na residência do embaixador do Chile em Caracas "em busca de proteção, sendo-lhe concedida a qualidade de hóspede".

O texto indica que "Marcano Salazar solicitou a proteção do Chile fundamentada em circunstâncias políticas conhecidas". "O governo do Chile agirá nesta matéria de acordo com os princípios jurídicos e humanitários que inspiram sua política externa."

No interior da residência diplomática chilena já se encontram na qualidade de "hóspedes" Zuleima del Valle González, Beatriz Ruiz Marín, José Fernando Núñez Sifontes e Elenis del Valle Rodríguez. Todos eles entraram nos últimos dias na residência diplomática.

Uma sexta pessoa, o dirigente nacional do partido social-cristão (Copei) da Venezuela, Roberto Enríquez, se encontra desde em abril nessa mesma situação.

Em julho, a oposição venezuelana aprovou as designações de novos magistrados para o Supremo, semanas depois de a procuradora-geral do país, Luisa Ortega Díaz, tentar impugnar sem sucesso as nomeações dos 33 juízes que ocupam atualmente as cadeiras da corte, por supostas irregularidades no processo de eleição.

Os juízes em exercício foram designados pelo parlamento quando este era de maioria chavista, num processo relâmpago concluído em poucos dias, logo após a vitória da oposição nas eleições legislativas de 2015.

Após a escolha dos 33 juízes pelo parlamento controlado pela oposição, o Supremo advertiu aos recém-indicados que estavam incorrendo em "crime de traição à pátria" contemplado pela Justiça Militar e pediu "medidas de coerção" contra todos os que participaram dos supostos delitos. / EFE

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