AP Photo/Sergei Grits
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Mais um líder opositor é preso na Bielo-Rússia por homens mascarados

O advogado Maxim Znak foi detido nesta quarta-feira, um mês após o início dos protestos contra o presidente Lukashenko

Redação, O Estado de S.Paulo

09 de setembro de 2020 | 13h00

MINSK - O advogado Maxim Znak, um dos últimos líderes do Conselho de Coordenação da oposição que permanecia em liberdade na Bielo-Rússia, foi detido nesta quarta-feira, 9, por "homens de máscara", exatamente um mês após o início dos protestos contra o presidente Alexander Lukashenko.

"Maxim Znak veio ao escritório para participar em uma videoconferência, mas acabou não participando. Só conseguiu enviar uma palavra, 'máscaras'", afirmou o serviço de imprensa do grupo de oposição em uma mensagem no aplicativo Telegram.

O conselho de coordenação também divulgou uma foto que mostra Znak conduzido por homens de máscara com trajes civis. O advogado de 39 anos é um dos sete membros da direção do Conselho de Coordenação, um organismo formado para obter a saída de Lukashenko e organizar a transição de poder.

Com a detenção de Znak, a vencedora do Nobel de Literatura Svetlana Alexievich é a única dirigente do grupo ainda em liberdade na Bielo-Rússia. Os outros estão detidos ou no exílio.

A escritora, de 72 anos, denunciou à imprensa que homens não identificados estavam posicionados diante de sua residência e tocavam de forma constante o interfone.

Diplomatas de vários países, como Suécia e Lituânia, seguiram para a casa da escritora para expressar solidariedade. "A polícia está sequestrando o melhor de nós", denunciou a escritora.

Estopim 

A detenção de Znak acontece exatamente um mês após a eleição presidencial que desencadeou uma onda de manifestações sem precedentes contra a reeleição de Lukashenko, que tem 66 anos e está no poder desde 1994, acusado de fraude.

A principal figura da oposição da Bielo-Rússia, Svetlana Tikhanovskaya, que enfrentou Lukashenko nas eleições de 9 de agosto, denunciou o que chamou de "sequestro" de Znak e pediu sua "libertação imediata".

"Lukashenko tem medo das negociações e tenta (com detenções e o envio de opositores ao exílio) paralisar o trabalho do Conselho de Coordenação", disse Tikhanovskaya, que, após ameaças, partiu para o exílio na Lituânia. "Não há alternativa às negociações e Lukashenko tem que aceitá-las", completou em um comunicado.

Apesar da repressão das manifestações e das pressões contra os opositores de maior destaque, as ruas permanecem mobilizadas. A cada domingo, nas últimas quatro semanas, mais de 100 mil pessoas se reuniram em Minsk.

A polícia e o serviço secreto (KGB) não confirmaram a detenção de Znak, mas o roteiro corresponde ao que ocorreu com outros opositores.

O governo bielo-russo anunciou na terça-feira 8 a detenção de Maria Kolesnikova, uma das líderes dos protestos, quando ela supostamente tentava fugir para a Ucrânia.

Mas a oposição afirmou que a operação foi uma tentativa frustrada de exílio forçado de Kolesnikova e explicou que ela rasgou o passaporte para impedir a medida. Ela escapou de um carro que a transportava, ao lado de outros dois opositores - que entraram na Ucrânia.

O site de notícias independente Tut.by informou, citando o pai de Kolesnikova, que ela está detida em uma prisão de Minsk.

Questão russa

Svetlana pediu aos russos que apoiem a "luta pela liberdade" dos bielo-russos e não acreditem na "propaganda" que aponta os opositores como anti-Rússia. "Em nenhuma etapa foi uma luta contra a Rússia e estou convencida de que não será", completou a opositora em um vídeo publicado no Telegram.

Em uma entrevista à imprensa russa na terça-feira 8, Lukashenko afirmou que "se a Bielo-Rússia cair, a próxima será a Rússia".

Depois de acusar a Rússia durante a campanha eleitoral de querer afastá-lo do poder por sua recusa a aceitar as ambições de Moscou, Lukashenko deu um giro de 180 graus e passou a pedir o apoio russo ante os protestos. Agora denuncia um complô ocidental contra seu país. / AFP

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