Ahmed Farid/AP
Ahmed Farid/AP

Mais um ministro egípcio renuncia por discordar do governo

Mohammed Mahsoub renunciou um dia após Morsi prometer reforma na economia do país

AE, Agência Estado

27 de dezembro de 2012 | 14h09

CAIRO - O ministro para Assuntos Legais e Parlamentares do Egito, Mohammed Mahsoub, anunciou sua renúncia nesta quinta-feira, 27, um dia depois de o presidente Mohamed Morsi ter prometido uma reforma na tumultuada economia do país.

Mahsoub disse que estava deixando o cargo porque "muitas políticas e esforços (do governo) contradizem minhas convicções pessoais", de acordo com carta publicada na página do Facebook que pertence ao líder de seu partido, o moderado Wasat.

Ele também criticou o fracasso do governo em recuperar os recursos supostamente desviados por membros do regime de Hosni Mubarak. Sua renúncia ocorre dois dias depois de o ministro de Comunicação de Morsi, Hany Mahmud, ter deixado o governo em razão da "atual situação do país".

Mahsoub, vice-líder do Wasat, havia apoiado Morsi contra a oposição laica durante a profunda crise política a respeito da nova Constituição, que se tornou lei na semana passada. Semanas de protestos e confrontos violentos precederam o referendo constitucional. A nova lei foi redigida por um painel dominado por islamitas e boicotada por cristãos e liberais.

Em discurso feito na quarta-feira, Morsi elogiou a Constituição e disse que estudava mudanças ministeriais. "Vou implementar todas as minhas ideias para estimular a economia egípcia...e farei todas as mudanças necessárias para cumprir esta tarefa", declarou o presidente.

Ataque à oposição

O promotor chefe do Egito ordenou nesta quinta-feira a realização de uma investigação sobre os líderes da oposição, depois que um advogado os acusou de incitar a queda do regime do presidente Morsi, informou um funcionário do judiciário, em condição de anonimato.

A ordem, emitida por um funcionário indicado por Morsi, deve agravar as tensões políticas, que resultaram em violentos episódios de violência nas ruas.

A acusação, aberta no mês passado, diz que Mohammed ElBaradei - ganhador do prêmio Nobel da Paz e ex-diretor da Agência Internacional de Energia Atômica (AIEA), ligada à ONU -, juntamente com Amr Moussa, ex-ministro de Relações Exteriores, e Hamdeen Sabahi, que foi candidato à presidência, fizeram campanha para derrubar Morsi.

As informações são da Dow Jones e da Associated Press

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