Mais violência no Timor após renúncia de Alkatiri

Gangues de jovens enfurecidos apedrejaram um campo de refugiados e incendiaram imóveis em Díli, nesta quarta-feira, em meio a episódios de violência envolvendo simpatizantes e oponentes do ex-primeiro-ministro do Timor Leste Mari Alkatiri.Mantenedores de paz australianos afastaram cerca de 100 jovens do campo de refugiados atacado. O local abriga centenas de pessoas que fugiram dos choques do mês passado em Díli. Os agressores alegavam que simpatizantes armados de Alkatiri estariam escondidos entre os refugiados.Disparos esporádicos de armas de fogo foram ouvidos pela cidade. Vinte casas e pelo menos seis estabelecimentos comerciais foram incendiados nesta quarta, levantando escuras colunas de fumaça visíveis de diversos pontos da cidade. Não há informações sobre vítimas.Alkatiri foi mostrado na terça-feira na televisão timorense pedindo aos cerca de 2.000 simpatizantes que protestaram em seu favor na segunda-feira que fossem a Díli nos próximos dias para prestar solidariedade a ele.O ex-primeiro-ministro acusou seus oponentes de estarem por trás de dois meses de distúrbios que provocaram a morte de pelo menos 30 pessoas em Díli e forçaram cerca de 150 mil a fugirem da capital."Eles destruíram Díli. Incendiaram, saquearam e mataram nosso povo e agora me acusam de ser terrorista, comunista e assassino", disse Alkatiri em suas primeiras declarações públicas depois da renúncia, na segunda-feira.As palavras de Alkatiri enfureceram seus oponentes, que apedrejaram a televisão local e incendiaram as casas de diversos líderes da Frente Revolucionária para um Timor Leste Independente (Fretilin), partido do ex-primeiro-ministro. A primeira-dama timorense, Kirsty Gusmão, acusou Alkatiri de inflamar a tensão no país com seu "discurso incendiário".Muitos timorenses culpam Alkatiri pela atual crise. Em março, ele demitiu 600 soldados em greve. Revoltados com a exoneração, os soldados renegados desencadearam uma onda de incêndios, saques e confrontos nas ruas de Díli, a capital do Timor Leste. Pelo menos 30 pessoas morreram e 150 mil fugiram de Díli, a capital timorense.Trata-se da pior onda de violência a afligir o Timor Leste desde 1999, quando milícias leais ao governo indonésio promoveram uma violenta campanha de morte e destruição depois que os timorenses votaram pela independência em um referendo patrocinado pela Organização das Nações Unidas (ONU).Em meio aos novos episódios de violência, o futuro político do Timor Leste parecia incerto nesta quarta-feira. Na terça, o presidente José Alexandre Xanana Gusmão anunciou que tomaria as medidas necessárias para formar um novo governo. Outra opção, alertou ele, seria dissolver o Parlamento e antecipar as eleições.

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