Mais votado no 1º turno na Colômbia promete suspender diálogo com Farc

Sem acordo. Candidato uribista Óscar Iván Zuluaga, que teve 450 mil votos a mais que o presidente Juan Manuel Santos, afirma que dará oito dias para guerrilha aceitar um cessar-fogo; ele não sabe o que fará se rebeldes concordarem em negociar

RODRIGO CAVALHEIRO , ENVIADO ESPECIAL / BOGOTÁ, O Estado de S.Paulo

27 Maio 2014 | 02h01

O candidato mais votado no do primeiro turno da eleição colombiana, Óscar Iván Zuluaga, disse que suspenderá em seu primeiro ato a negociação de paz mantida desde 2012 com as Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia (Farc), caso ganhe no dia 15 a disputa final contra o presidente Juan Manuel Santos.

Segundo ele, caso a guerrilha não acate em oito dias - a partir da posse, em 7 de agosto - a sua exigência de um cessar-fogo total e verificado, adotará a estratégia bélica de seu mentor, o ex-presidente Álvaro Uribe, que em oito anos de governo ordenou a maior ofensiva contra a guerrilha. Outra condição de Zuluaga é que os líderes das Farc cumpram pelo menos 6 anos de prisão.

"Se não aceitarem, nossa função será persegui-los e capturá-los. Vamos debilitar a guerrilha até acabar com o conflito em uma negociação em condições dignas. Eles não podem continuar recrutando crianças e matando agricultores enquanto negociam", afirmou ao Estado, em encontro com jornalistas ontem, em Bogotá.

Zuluaga obteve 29,25% dos votos no domingo, enquanto o candidato à reeleição ficou com 25,69%. Sua eleição significaria uma reviravolta na posição colombiana em política externa e na negociação de paz (mais informações nesta página). "Primeiro, o presidente Santos disse que um acordo sairia em seis meses, depois um ano, agora dois anos. Quanto vamos esperar? Darei oito dias às Farc para que digam se aceitam. Se deveriam pegar 50 anos e aceito que paguem 6, é uma concessão."

No último ano, o candidato uribista teve uma ascensão nas pesquisas que o levou do último lugar entre os cinco postulantes para a primeira posição. Na reta final da campanha, ficou na defensiva após a divulgação de um vídeo no qual recebia informações confidenciais de um hacker sobre o que se decidia em Havana, um dia antes do anúncio oficial. A expectativa de que isso freasse seu crescimento não se confirmou. "Há 20 dias, Zuluaga tinha 14% nas pesquisas. Isso se reverteu quando Uribe passou a fazer campanha aberta, a atacar o presidente", avaliou León Valencia, da Fundação Paz e Reconciliação.

Zuluaga absorveu a popularidade de Uribe, que deixou o poder em 2010 com mais de 80% de aprovação. "Não sabia quem era, votei nele porque é o candidato de Uribe ", disse o motorista Jairo López, de 62 anos.

Durante a campanha, Zuluaga sofreu com insinuações de que é uma marionete de Uribe. Em sua primeira aparição como vencedor, o empresário cuja família é dona de uma siderúrgica pareceu mais seguro e sorridente do que o habitual. Ainda assim, recebia de um assessor bilhetes sobre o que dizer ou não.

Zuluaga respondeu pacientemente todas as perguntas, exceto a uma: o que fará se as Farc aceitarem suas exigências? "Isso teremos de analisar se ocorrer", disse, num indício de que tem um plano apenas para o fim da negociação.

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