Vegard Wivestad/AFP
Vegard Wivestad/AFP

Malala e Kailash Satyarthi recebem Nobel da Paz pela defesa da infância

Paquistanesa e indiano são homenageados por arriscar suas vidas em defesa das crianças vítimas do extremismo e da escravidão

Estadão Conteúdo

10 de dezembro de 2014 | 12h53

A paquistanesa Malala Yousafzai e o indiano Kailash Satyarthi receberam nesta quarta-feira o Prêmio Nobel da Paz por arriscar suas vidas no trabalho de proteger crianças da escravidão, do extremismo e do trabalho infantil. A adolescente Malala, de 17 anos, a pessoa mais jovem a receber um Nobel, e Satyarthi, de 60 anos, receberam o prêmio durante cerimônia na capital da Noruega, na qual foram ovacionados.

Afirmando que todas as crianças têm o direito à infância e à educação, o presidente do comitê do Nobel Thorbjorn Jagland afirmou que "a consciência mundial não pode encontrar melhor expressão" do que nos vencedores deste ano.

Em discurso perante a realeza da Noruega, Jagland relatou como Malala foi atingida na cabeça e seriamente ferida por homens do Taleban, dois anos atrás. Ele afirmou que grupos extremistas islâmicos não gostam do conhecimento porque trata-se de uma condição para a liberdade. "A frequência à escola, especialmente pelas meninas, priva tais forças do poder", afirmou ele.

Jagland mencionou convicção de Satyarthi de acabar com o trabalho infantil e como ele abandonou sua carreira de engenheiro elétrico em 1980 para lutar por essa ideia, além de lembrar outro indiano, Mahatma Gandhi, que continua a ser a omissão mais notável nos 113 anos do Prêmio Nobel da Paz.

O presidente do comitê disse que os vencedores do prêmio vivem de acordo com o princípio de Gandhi: "conheço muitas razões pelas quais eu morreria, mas não conheço nenhuma pela qual eu mataria".

O criador dos prêmios Nobel, o industrial sueco Alfred Nobel, disse que a condecoração deveria ser concedida "à pessoa que devem ter feito o maior ou o melhor trabalho pela fraternidade entre nações, pela abolição ou redução de exércitos permanentes e para a realização e promoção de congressos de paz".

O comitê vem interpretando essas instruções de forma diferenciada no decorrer do tempo, ampliando o conceito de trabalho pela paz para a inclusão de esforços para melhorar os direitos humanos, combater a pobreza e limpar o meio ambiente.

Ao homenagear os vencedores deste ano, o comitê do Nobel conectou o prêmio pela paz a conflitos entre religiões mundiais e potências nucleares vizinhas, além de atrair a atenção para os direitos das crianças. 

Os demais prêmios, de Medicina, Física, Química e Literatura, devem ser entregues em Estocolmo, ainda nesta quarta-feira. As cerimônias são sempre realizadas no dia 10 de dezembro, aniversário da morte de seu criador, que faleceu em 1896. /AP

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