Cornelius Poppe/AFP
Cornelius Poppe/AFP

Malala e Satyarthi recebem Nobel da Paz na Noruega

'A minha história não é a única, é a de muitas meninas', diz menina paquistanesa que sobreviveu a atentado do Taleban

O Estado de S. Paulo

10 de dezembro de 2014 | 11h52

 

OSLO - A adolescente paquistanesa Malala Yousafzai, que levou um tiro de militantes do Taliban por se recusar a abandonar a escola, e o ativista indiano Kailash Satyarthi receberam seus prêmios Nobel da Paz, nesta quarta-feira, após dois dias de comemorações pelo trabalho deles em prol dos direitos das crianças.

Malala se tornou a ganhadora mais jovem do prêmio. A paquistanesa tem recebido elogios no mundo todo por sua campanha global desde que foi atingida na cabeça dentro de um ônibus escolar em 2012. Alguns grupos no Paquistão, no entanto, a acusam de ser influenciada pelo Ocidente e de violar princípios conservadores do Islã.

"Eu conto a minha história não porque ela é única, mas porque não é", disse Malala, de 17 anos, que lançou um livro e tem uma fundação com seu nome.

"Essa é a história de muitas meninas", disse ela na Prefeitura de Oslo, em evento no dia do aniversário da morte do industrial sueco Alfred Nobel.

Apesar de o foco estar voltado para Oslo nesta quarta, os ganhadores do Nobel de Literatura, Química, Física, Medicina e Economia se reuniram em Estocolmo para receber seus prêmios das mãos do rei da Suécia.

Satyarthi, que ajudou a salvar cerca de 80.000 crianças de trabalho forçado, às vezes por meio de confrontos violentos, manteve um comportamento discreto em Oslo e reconheceu ter sido ofuscado por Malala e seus admiradores.

"Eu perdi dois dos meus colegas", disse Satyarthi sobre seu trabalho. "Carregar o corpo de um colega que está lutando pela proteção de crianças é algo que nunca vou esquecer, mesmo quando sento aqui para receber o prêmio Nobel da Paz."

Malala, que chegou à Noruega com amigos e jovens ativistas do Paquistão, Síria e Nigéria, se encontrou com milhares de crianças, caminhou pelas ruas para saudar apoiadores e vai inaugurar uma exibição em que o vestido sujo do sangue que ela usava no dia do ataque ao ônibus será exposto.

O prêmio de 2014 pode ajudar o Comitê Norueguês do Nobel a recuperar sua reputação após escolhas controversas nos últimos anos, como a União Europeia e o presidente dos Estados Unidos, Barack Obama.

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