Malala visita Nigéria e pede retorno de estudantes

Malala está comemorando seu 17º aniversário na Nigéria como forma de pressionar pela libertação das meninas, levadas pelo grupo Boko Haram. "Meu desejo de aniversário deste ano é ''tragam nossas meninas de volta'' agora e vivas", disse ela, usando o slogan disseminado pelas mídias sociais em todo o mundo para exigir a libertação das garotas, sequestradas de uma escola na remota cidade nigeriana de Chibok na madrugada de 15 de abril.

Agência Estado

14 Julho 2014 | 15h01

A ativistas paquistanesa pela educação Malala Yousafzai disse nesta segunda-feira que o presidente da Nigéria, Goodluck Jonathan, prometeu a ela que ele vai se reunir com os pais de algumas das 219 meninas estudantes sequestradas por extremistas islâmicos há três meses.

 

O Boko Haram realizou vários ataques durante o final de semana. Testemunhas responsabilizam o grupo pelo bombardeio a uma importante ponte de uma estrada do nordeste nigeriano, o que limita o acesso a seus campos na floresta de Sambisa, onde, acredita-se, algumas das meninas sequestradas sejam mantidas.

Homens armados destruíram a maior parte da ponte na estrada que liga Maiduguri a Biu na noite de sábado, o que impossibilita a passagem de carros pela via, informou o porta-voz do grupo de uma milícia nigeriana, Abbas Gava, à Associated Press.

Malala, que escapou de uma tentativa de assassinato realizada pelo Taleban em 2012, reuniu-se com o presidente nigeriano nesta segunda-feira e disse aos jornalistas, após a reunião, que ele "prometeu para mim que as meninas voltarão o mais rápido possível".

Ela falou a respeito de um emocionante encontro que teve na noite de domingo com os pais de algumas das meninas. "Eu vi lágrimas em seus olhos. Eles estão desesperados, mas parecem ter esperança em seus corações e perguntavam se é possível que se encontrassem com o presidente."

Ela disse esperar que o encontro dos pais com o presidente e a libertação das meninas aconteçam "realmente logo". Até agora, Goodluck Jonathan não se reuniu com nenhum dos pais das meninas.

O líder do grupo extremista, Abubakar Shekau, divulgou um vídeo no domingo no qual repetiu a exigência que já havia feito: a libertação de insurgentes em troca da liberdade das meninas.

"Os nigerianos estão dizendo ''tragam nossas meninas de volta" e nós dizemos a Jonathan que devolva nossos guerreiros, nosso exército", diz ele no vídeo. Até agora, o presidente tem se recusado a negociar com o grupo.

Nos três meses desde o sequestro, o Boko Haram intensificou o número e a violência de seus ataques com uma abordagem em duas frentes: o bombardeio de cidades e ataques a vilas, matando moradores a tiros, roubando animais e queimando cabanas.

Boko Haram significa "a educação ocidental é um pecado. O grupo também quer acabar com a Constituição e impor a lei islâmica (sharia) na Nigéria, cujos 170 mil habitantes estão divididos quase igualmente entre cristãos, que vivem em sua maioria no sul, e muçulmanos, que habitam o norte do país. Fonte: Associated Press.

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