REUTERS/Suzanne Plunkett
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Malala visita Paquistão pela primeira vez após sofrer atentado

Jovem disse que retorno ao país de origem é um sonho que se tornou realidade; em outubro de 2012 ela foi baleada na cabeça por um militante do Taleban que era contra sua defesa da educação de meninas

O Estado de S.Paulo

29 Março 2018 | 04h05
Atualizado 29 Março 2018 | 11h12

ISLAMABAD - Ganhadora do prêmio Nobel da Paz, Malala Yousafzai retornou ao Paquistão, informaram fontes oficiais. É a primeira visita da jovem ao país em que nasceu desde que foi baleada na cabeça no ataque executado por um taleban armado que era contra sua defesa da educação de meninas em 2012.

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Ela afirmou entre lágrimas que seu retorno ao Paquistão é um sonho que se tornou realidade. "É o melhor dia da minha vida. Ainda não posso crer que estou no Paquistão", disse, bastante emocionada, em discurso transmitido pela televisão.

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Detalhes sobre seu itinerário foram "mantidos em sigilo, em vista da sensibilidade que cercou a visita", informou uma autoridade do governo local. A viagem está prevista para durar quatro dias e incluir um encontro com o primeiro-ministro, Shahid Khaqan Abbasi.

Acompanhada dos pais, Malala, de 20 anos, foi escoltada do Aeroporto Internacional Benazir Bhutto, em Islamabad, sob um forte esquema de segurança, segundo fotos exibidas por uma emissora local.

Malala se tornou um símbolo mundial de defesa dos direitos humanos e ativista da educação de meninas depois que um homem armado invadiu seu ônibus escolar no Vale do Swat, no dia 9 de outubro de 2012, perguntou "Quem é Malala?", e atirou nela.

Depois de ser operada na Inglaterra e ter seus ferimentos tratados na cidade inglesa de Birmingham, onde concluiu os estudos, ela se tornou uma grande ativista do direito à educação para as crianças.

Malala ganhou o prêmio Nobel da Paz em 2014, ao lado do indiano Kailash Satyarthi, por seu trabalho a favor da educação infantil. Depois de morar com a família em Birmingham, região central da Inglaterra, a jovem entrou para a Universidade de Oxford, onde estuda Economia, Filosofia e Ciências Políticas.

Ela ganhou a inimizade dos círculos islamistas radicais de seu país, que não aceitam a emancipação das mulheres. Muitos paquistaneses, no entanto, celebraram sua chegada ao país nas redes sociais.

"Bem-vinda Malala Yousafzai, a corajosa e resistente filha do Paquistão, de retorno a seu país", escreveu o político Syed Ali Raza Abidi.

O jornalista Hamid Mir pediu moderação aos analistas e políticos opositores em seus comentários sobre a visita da jovem. "A imprensa internacional acompanha de perto seu retorno e (o uso de linguagem inadequada) prejudicará a imagem do Paquistão", disse.

Malala iniciou o ativismo em 2007, quando o Taleban aplicava sua lei no Vale de Swat, noroeste do Paquistão. Seu pai, diretor de escola, teve grande influência sobre a jovem, cuja mãe é analfabeta. Com apenas 11 anos de idade, Malala escrevia em um blog do site da BBC em urdu, a língua nacional do Paquistão. Com o pseudônimo de Gul Makai, ela descrevia o clima de medo na região em que morava. / AFP e EFE

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