Shizuo Kambayashi/AP
Shizuo Kambayashi/AP

Malásia anuncia expulsão do embaixador da Coreia do Norte

Chancelaria de Kuala Lumpur justificou medida dizendo temer que país tenha sido utilizado para 'atividades ilegais'; acordo de livre circulação também foi cancelado

O Estado de S.Paulo

04 de março de 2017 | 22h45

KUALA LUMPUR - A Malásia anunciou neste sábado, 4, que expulsará o embaixador da Coreia do Norte depois da crise diplomática aberta com o assassinato do meio-irmão do líder norte-coreano Kim Jong-un no aeroporto de Kuala Lumpur.

"O embaixador foi declarado persona non grata", afirmou o ministério malaio das Relações Exteriores em um comunicado. Kim Jong-nam, de 45 anos e caído em desgraça há vários anos, morreu em 13 de fevereiro envenenado por um gás neurotóxico que, segundo as autoridades malaias, poderia ser o agente VX, uma versão mais letal do gás sarin.

Imagens de câmeras de segurança mostraram duas mulheres se aproximando pelas costas de Kim Jong-nam, e uma delas lançando, aparentemente, algo em seu rosto. O meio-irmão de Kim Jong-un foi levado à clínica do aeroporto, mas faleceu durante sua transferência ao hospital.

As duas mulheres afirmam que foram enganadas e acreditavam que participavam de uma brincadeira gravada em vídeo, uma pegadinha. A polícia malaia alega que elas sabiam o que faziam.

Segundo as autoridades, Kim Jong-nam morreu rapidamente, em menos de 20 minutos, e seu falecimento foi provavelmente "muito doloroso". Desde o assassinato, a Coreia do Sul acusa o vizinho do Norte de eliminar Kim Jong-nam, crítico do regime norte-coreano.

O assassinato deixou muito tensas as relações entre a Malásia e a Coreia do Norte. Pyongyang, que não reconheceu a identidade da vítima, protesta vigorosamente pela investigação das autoridades malaias, a quem acusa de atuar em aliança com seus inimigos. As autoridades norte-coreanas também não aceitam as conclusões da necropsia e afirmam que a vítima faleceu por uma crise cardíaca.

"A expulsão do embaixador da RDPC (Coreia do Norte) obedece à preocupação do Governo de que a Malásia pode ter sido utilizada para atividades ilegais", indica o comunicado. Kuala Lumpur cancelou, além disso, um acordo de livre circulação de pessoas com a Coreia do Norte, e chamou para consultas seu embaixador em Pyongyang.

A expulsão do embaixador acontece no mesmo dia em que o único norte-coreano detido pelo assassinato tachou a investigação malaia de "conspiração para prejudicar a dignidade da República (da Coreia do Norte)".

Ri Jong-chol, que foi libertado e deportado na sexta-feira por falta de provas, assegurou que a polícia ofereceu a ele uma vida boa na Malásia em troca de um falso testemunho.

Por fim, Pyongyang alertou neste sábado que os Estados Unidos "pagarão caro" se voltarem a incluir a Coreia do Norte na lista de países que incentivam o terrorismo, em função do caso envolvendo a morte do meio-irmão de Kim Jong-un.

"Os Estados Unidos vão tomar conhecimento do alto preço a pagar por suas acusações sem fundamento", afirmou o porta-voz da chancelaria norte-coreana, citado pela agência oficial KCNA. A fonte assegurou que Pyongyang se opõe a "todas as formas de terrorismo" e acusou os Estados Unidos de quererem prejudicar sua reputação. / AFP

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