Malásia conclui que avião foi sequestrado

Governo diz ter certeza que Boeing foi desviado por alguém que sabia pilotar, mas não sabe dizer para onde nem a razão

15 de março de 2014 | 01h14

(Atualizada à 1h40) KUALA LUMPUR - Após uma semana de buscas pelo Boeing 777-200 da Malaysia Airlines, o governo da Malásia confirmou na madrugada deste sábado, 15, que investigadores concluíram que um dos pilotos ou outra pessoa no avião com experiência de voo sequestrou a aeronave. O voo MH370 partiu de Kuala Lumpur para Pequim e desapareceu com 239 passageiros e 12 tripulantes bordo.

À agência AFP, um funcionário do governo malaio envolvido nas investigações afirmou que uma pessoa com conhecimento de rotas aéreas e da posição dos radares pode ter desviado o avião. "Inevitavelmente seria um piloto experiente, competente e ativo. Essa possível pessoa saberia muito bem como evitar os radares civis, como se tivesse estudado muito bem o assunto", afirmou.

Mais cedo, especialistas americanos envolvidos na investigação disseram que o avião sofreu uma significativa mudança de altitude após perder contato com as torres de controle e alterou seu curso mais de uma vez enquanto ainda estava sob o comando do piloto.

Ao New York Times, as fontes disseram que os sinais de radares gravados pelo Exército malaio mostram que a aeronave teria chegado a 45 mil pés (13.716 metros) - 2 mil pés acima da altitude permitida ao modelo - depois de desaparecer dos radares civis e fez uma curva acentuada para oeste. A empresa de comunicação por radar britânica Inmarsat afirmou ter registros de sinais operacionais enviados pelo avião depois de desaparecer. Os dados, segundo ela, podem ajudar a estimar a localização da aeronave, procurada agora no Oceano Índico.

O vice-presidente da Inmarsat, David Coiley, disse que o aparelho estava equipado com um sistema de sinalização da empresa que continuou enviando "mensagens operacionais". Segundo Coiley, foram registradas várias mensagens depois do último contato do aparelho com um radar. As mensagens pararam mais tarde, mas o executivo não quis especificar quando ou quantas delas foram captadas.

O mistério em torno do caso, um dos mais intrigantes da história da aviação, já havia aumentado após a informação de que a aeronave teria deliberadamente sido desviada. A possibilidade foi apontada primeiro por fontes familiarizadas com a investigação, à agência Reuters, reforçando suspeitas de um ato criminoso.

De acordo com essas fontes, um avião não identificado seguiu uma rota entre dois pontos de balizamento definidos. Isso sugere que ele estava sendo pilotado por alguém com formação em aviação. A última vez em que a aeronave foi detectada por um radar militar, ela sobrevoava a costa noroeste da Malásia.

O deslocamento mostra que o avião viajava na direção das Ilhas Andaman, arquipélago que pertence à Índia, entre o Mar de Andaman e a Baía de Bengala. As investigações estariam focadas cada vez mais na teoria de que alguém que sabia pilotar desviou o avião deliberadamente. O governo malaio, no entanto, não sabe quem sequestrou e nem onde está o avião.

Segundo a CNN, há indícios de que o avião caiu no Oceano Índico. Desde a semana passado, várias hipóteses foram levantadas. Inicialmente, as autoridades descartaram uma sabotagem, mas novas informações indicaram que a hipótese criminal havia se tornado o principal foco. Ganharam força os cenários de pirataria e suicídio. Especialistas levantaram a hipótese de que um dos pilotos ou alguém com experiência de aviação teria cometido suicídio.

Um especialista americano já havia afirmado que os investigadores examinavam a possibilidade de "intervenção humana" ou "ato de pirataria". Ele não descartou também a possibilidade de que o aparelho tenha pousado em algum lugar. / NYT, AP e REUTERS

Encontrou algum erro? Entre em contato

Tendências:

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.