AFP PHOTO / TOSHIFUMI KITAMURA
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Irmão de Kim Jong-un é assassinado em aeroporto na Malásia

Confirmação sobre identidade foi obtida pela emissora CNN; agência sul-coreana afirma que Kim Jong-nam teria sido envenenado por duas mulheres, que fugiram após a ação

O Estado de S.Paulo

14 Fevereiro 2017 | 11h20

KUALA LAMPUR - Kim Jong-nam, meio-irmão mais velho do líder norte-coreano Kim Jong-un, foi morto nesta terça-feira, 14, no Aeroporto Internacional de Kuala Lumpur, na Malásia. O filho de Kim Jong-il vivia afastado do clã que governa a Coreia do Norte e estava fora do país desde 2001. Ele pretendia embarcar em um voo para Macau. Segundo fontes sul-coreanas e americanas, duas mulheres não identificadas o envenenaram. 

Conhecido por se pronunciar publicamente contra o controle dinástico de sua família sobre o governo do país, Kim Jong-nam vivia na China. Em 2001, foi preso quando chegou ao Japão com um passaporte falso numa tentativa, supostamente, de visitar a Disney de Tóquio. 

 

Segundo fontes da inteligência sul-coreana, o meio-irmão de Kim Jong-un foi identificado como a vítima do assassinato, mas, até a noite de ontem, Seul ainda não havia se pronunciado de maneira oficial. 

A emissora de TV a cabo sul-coreana Chosun disse, citando múltiplas fontes do governo da Coreia do Sul, que Kim foi envenenado no aeroporto de Kuala Lumpur por duas mulheres que estariam a serviço da Coreia do Norte e estariam foragidas.

No Departamento de Estado americano, fontes acreditam que Kim Jong-nam foi alvo de espiões de seu próprio país. A polícia da Malásia confirmou a morte de um passageiro de 46 anos identificado como Kim Chol - os sul-coreanos acreditam que ele estaria utilizando um documento falso.

Segundo a polícia, as duas mulheres jogaram um líquido no rosto do norte-coreano ou o injetaram com um objeto semelhante a uma caneta. 

Havia versões conflitantes ontem. Conforme testemunhas, ele se sentiu tonto e pediu ajuda no balcão da companhia aérea KLIA. 

Kim Jong-nam foi levado a um hospital, mas morreu na ambulância. Um ex-agente de inteligência americano que monitorou por anos as atividades de Kim Jong-nam avaliou que ele era um potencial alvo do governo de seu país após o meio-irmão ter assumido o poder, em 2011, e conseguido se consolidar como novo líder supremo. 

Histórico. Kim Jong-nam caiu em desgraça na Coreia do Norte após o episódio da tentativa de entrada clandestina no Japão. Antes disso, ele chegou a ser visto como o favorito do pai, Kim Jong-il, para substituí-lo.

Nascido em 1971, Kim Jong-nam era o primeiro filho de Kim Jong-il - morto em 2011 -, fruto de um relacionamento com a atriz Song Hye-rim. Quando criança, ganhou o apelido de “pequeno general”, sinal da preferência do então líder supremo para sua sucessão. 

Após a detenção de Kim Jong-nam em Tóquio, as atenções se voltaram para quem seria o novo “preferido” do líder - as apostas estavam entre outros dois filhos, Kim Jong-un e Kim Jong-chol. Este último, mais magro que os irmãos, teria sido rapidamente descartado por ter um comportamento “muito afeminado” para o cargo, segundo seu próprio pai.

Em 2011, a ascensão de Kim Jong-un se concretizou após a morte do líder supremo. Ele assumiu o posto e, apesar de dúvidas sobre sua capacidade de se consolidar, conseguiu se impor diante do gabinete militar. Para isso, recrudesceu a retórica contra o Ocidente, voltou a realizar testes nucleares e contou com expurgos de integrantes do governo identificados como “traidores”. 

O caso mais notório deles foi a execução do tio e ex-conselheiro Jang Song-thaek, em 2013. Jang era visto como pessoa próxima de Kim Jong-nam antes de o “pequeno general” abandonar a Coreia do Norte.

A Malásia é um dos poucos países da Ásia que ainda mantêm relações diplomáticas mais próximas com a Coreia do Norte. Cidadãos dos dois países não necessitam de visto em viagens de negócios ou turismo. / AP, REUTERS, AFP e EFE

 

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