Maldição do petróleo ameaça venezuelanos

A dispersão dos recursos provenientes do petróleo deixou a economia da Venezuela em frangalhos, embora seus líderes coloquem nos EUA a culpa pela situação de sua economia. Outros países com grandes reservas aprenderam a se esquivar da "maldição do petróleo" e Caracas poderia seguir na mesma direção.

CENÁRIO: Christian Science Monitor, O Estado de S.Paulo

09 de outubro de 2013 | 02h02

Entre os poucos países abençoados com grandes quantidades de petróleo em seu território, a Venezuela é um exemplo lamentável do que não se deve fazer com uma abundante riqueza natural. Produtos de primeira necessidade são escassos, a inflação explode e os apagões são comuns. Filas de pessoas em busca de vistos para sair do país são longas.

Em vez de mudar e investir os seus petrodólares para um período de escassez de óleo, o presidente Nicolás Maduro recorreu a uma velha artimanha usada por Hugo Chávez, seu predecessor. Inventou um inimigo do Estado para desviar a atenção da sociedade da corrução e da má condução do governo. Expulsou três diplomatas americanos, acusando-os de complô para sabotar a economia.

O mau uso das benesses temporárias provenientes do petróleo e outros minérios é similar ao fenômeno comum dos ganhadores de loterias que logo acabam falindo. Nações como Noruega, Botswana, Chile e Canadá adotaram alguns princípios básicos para ampliar os ganhos obtidos com a exploração dos seus recursos naturais.

Em primeiro lugar, são transparentes quanto ao destino do dinheiro, o que exige um certo compromisso com a democracia. Em segundo lugar, a riqueza é distribuída de modo equitativo, especialmente para as futuras gerações, e não é canalizada secretamente para uma elite bem relacionada. E, em terceiro, procuram duplicar a riqueza investindo os recursos em educação, novos empreendimentos e infraestrutura.

À medida que mais países exploram novos depósitos de gás e petróleo, especialmente em formações betuminosas, eles começam a aprender qual a melhor maneira de reciclar os ganhos obtidos. A orientação, com frequência, parte de grupos privados e de organizações globais, como o Fundo Monetário Internacional (FMI).

Muitos países com recursos naturais de grandes proporções, especialmente no Oriente Médio, não são democráticos. Os economistas discutem se é a riqueza de recursos ou a história de cada uma deles que explica isso. A riqueza não teria um efeito corrosivo se mais países adotassem práticas básicas, como abertura, uma poupança prudente e liberdade política.

A Venezuela não precisaria transformar os EUA num espantalho se começasse a entender que a maldição do petróleo é algo que um país cria sozinho.

TRADUÇÃO DE TEREZINHA MARTINO

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