Malvinas abrigam maior base militar do Atlântico Sul

Base inglesa de Mount Pleasant começou a receber investimentos a 25 anos e hoje conta com grande poderio militar, 1.650 soldados e custo semanal de US$ 4 milhões

Agencia Estado

18 Junho 2007 | 09h49

A guerra contra a Argentina pela posse do arquipélago das Malvinas/Falklands havia terminado em 14 de junho de 1982, com a vitória das forças britânicas, ao custo de 1,4 mil mortos - e já no dia 17, ás 12 horas, a primeira-ministra Margareth Tatcher anunciava ter recebido da rainha Elizabeth "indicação clara para garantir a defesa das ilhas". A designação recebeu, de cara, uma dotação de £100 milhões. Passados 25 anos e tendo sido gastos mais US$ 550 milhões, o resultado prático da ação é a mais formidável base militar do Atlântico Sul, a de Mount Pleasant dedicada a sofisticadas ações de vigilância armada. As ilhas tem 2.300 habitantes civis - os kelpers - e, até dezembro do ano passado, 3.180 carneiros contados pelo censo rural. O grande complexo abriga 1.650 soldados da Marinha, Exército e Aeronáutica. Desde setembro de 2001, está sempre em estado de alerta intermediário por conta da guerra contra o terror. Há ainda navios, radares digitais, mísseis antiaéreos e um atracadouro habilitado a receber submarinos nucleares de grande porte. Caças supersônicos Tornado F-3, aviões EC-130 de monitoramento eletrônico, helicópteros anti-submarinos, uma fragata lança-mísseis, lanchas torpedeiras e um grande jato VC-10/T, de reabastecimento em vôo, estão empenhados em uma operação permanente de monitoramento do espaço aéreo da região. As autoridades de defesa do Reino Unido e as de seu maior parceiro, os Estados Unidos, temem a utilização das rotas antárticas como linha de trânsito clandestino do terrorismo internacional. O elevado padrão de sobreaviso em Mount Pleasant foi estabelecido pelo Estado-Maior da Defesa do Reino Unido, no mesmo dia em que o governo americano revelava que suas agências de inteligência haviam tomado conhecimento de novos atentados em preparo por organizações terroristas alinhadas com a rede Al-Qaeda, de Osama bin Laden. No dia 7 de julho de 2005, o metrô de Londres era atacado por terroristas. O atentado a bomba deixou o saldo de 50 mortos e mais de 700 feridos. Manutenção custosa O custo de manutenção de Mount Pleasant é de quase US$ 4 milhões por semana, de acordo com orçamento 2006-2007 do governo britânico. Segundo Derek Wilkinson, um ex-oficial da Royal Air Force (RAF) que atuou recentemente na área e hoje vive no Uruguai, a rotina da base começa às 6 horas da manhã. "Faz frio o ano todo nas 700 ilhas e afloramentos austrais britânicos e nessa época isso pode significar temperatura média de 8 graus", conta. Seguindo uma escala variável as tripulações dos quatro caças supersônicos Tornado F-3 do Esquadrão 1435 fazem sucessivas patrulhas em regime de reação rápida. Esses grandes jatos de emprego múltiplo decolam com oito mísseis sob as asas móveis e 750 projéteis de 27 milímetros para o canhão de bordo. Cada missão de patrulha dura em média duas horas, com raio de ação de 740 quilômetros sem reabastecimento combustível em vôo. Se as condições climáticas estiverem desfavoráveis os Tornado podem recorrer ao avião tanque, um jato VC-10. O esquema de pronta resposta será mantido por tempo indeterminado. O pessoal da RAF, formado por 16 duplas de piloto e navegador para os Tornados, implica o trabalho em terra de 69 especialistas em manutenção. As tripulações permanecem o tempo todo com seus macacões de vôo, capacetes à mão, em salas anexas aos abrigos de concreto construídos na menor distância possível da pista de 2.590 metros de extensão. Os Tornados voam a 2.330 km/h e podem transportar até 9 toneladas de mísseis e bombas. A fragata lança-mísseis e as corvetas torpedeiras da Marinha são responsáveis pelo controle da área de exclusão, um círculo de pouco mais de 400 quilômetros ao redor das ilhas principais, onde está a capital, Port Stanley. Um Hércules EC-130H realiza missões de transporte, de acompanhamento da atividade eletrônica e de escuta de comunicações, no ar e na superfície. O uso das rotas antárticas para vôos irregulares é rotina entre traficantes de drogas. O espaço aéreo é pouco vigiado e a instabilidade magnética típica da região dificulta o controle. Todos os novos jatos executivos de última geração têm autonomia suficiente para realizar vôos intercontinentais transpolares e, com uma ou duas escalas, desembarcar passageiros em pistas clandestinas de qualquer ponto da América do Sul.

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