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Ilhas Malvinas queriam permanência no bloco europeu

Interpretação majoritária entre os 3 mil habitantes do arquipélago é de que a saída britânica de tratados assinados com os europeus poderia animar nações culturalmente próximas da Argentina a apoiá-la na disputa pela soberania do território

Rodrigo Cavalheiro CORRESPONDENTE / BUENOS AIRES, O Estado de S. Paulo

23 Junho 2016 | 21h49

BUENOS AIRES - A saída do Reino Unido da União Europeia representa uma derrota para governantes e habitantes das Ilhas Malvinas (Falklands, para os britânicos), que haviam deixado clara sua preferência pela permanência. A interpretação majoritária entre os 3 mil habitantes do arquipélago era de que com a saída britânica de tratados assinados com os europeus, nações culturalmente próximas da Argentina se animarão a apoiá-la na disputa pela soberania do território.

O alerta mais incisivo partiu de Sukey Cameron, representante do governo das Malvinas em Londres. “Com o Reino Unido fora da UE, o apoio de muitos países da Europa seria menos garantido, o que poderia estimular a Argentina a ter posição muito mais agressiva”, disse em abril.

Na avaliação do diplomata Roberto García Moritán, especialista na disputa que levou os países à guerra em 1982, os moradores das ilhas têm razão para estar preocupados. Cerca de 60% do PIB vêm da pesca e 73% dessa produção vão para a UE, em especial para Espanha e Itália.

"O impacto mais significativo é econômico. É preciso pensar que diplomaticamente Londres se afasta da Europa, mas não rompe seus laços. Continua na Organização do Tratado do Atlântico Norte (Otan), o que prevê proteção militar conjunta às ilhas. Não se pode simplificar", disse ao Estado.

O premiê David Cameron esteve em Gibraltar em campanha pela permanência na UE. Em sua tentativa de alertar sobre riscos econômicos e diplomáticos de um rompimento, ele contou com o auxílio do governante do enclave britânico em território espanhol, Fabian Picardo, para quem a saída da UE aproximaria o território de Madri. Com Mauricio Macri, o governo argentino adotou um tom mais conciliador na reivindicação pela soberania das Malvinas.

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