Adriana Carranca/Estadão
Adriana Carranca/Estadão

Manan Ansari, forçado a trabalhar em uma mina na índia

Jovem resgatado de mina de cristais de mica sonha virar advogado para defender crianças em situação de escravidão

Adriana Carranca, Enviada Especial / Londres, O Estado de S. Paulo

23 de novembro de 2014 | 05h00


Manan Ansari tem 18 anos, mas exibe a fragilidade de uma criança. Ele tinha 6 anos quando foi escravizado junto com o pai em uma mina de cristais de mica, em um vilarejo escondido na floresta de Jharkhand, no leste da Índia. Ansari passou a infância dentro dos túneis escuros e gélidos cavados pelos exploradores. Os deslizamentos eram comuns e, um dia, ele viu o melhor amigo, da mesma idade que ele, morrer ao sofrer uma queda quando quando os dois entravam na mina. 

"Mica só pode ser coletado a 300 ou 400 metros abaixo da terra. Eles cavavam com máquinas improvisadas e nós tínhamos de descer. Lá embaixo era muito escuro, frio, e faltava oxigênio. Muitos foram soterrados. Meu melhor amigo escorregou nos primeiros degraus e eu o vi cair naquele buraco, na frente dos meus olhos", disse Ansari em entrevista ao Estado, com uma voz quase inaudível. Ele ainda tem problemas físicos decorrentes dos anos sem luz e da comida insuficiente. Ele luta contra uma doença nos pulmões causada pelo ar contaminado da mina e exibe nas mãos as marcas do trabalho forçado ao qual foi submetido.

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Crianças são traficadas dos vilarejos para a cidade porque não há escolas ou hospitais na zona rural
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Em 2007, quando tinha 13 anos e após 7 em cativeiro, ele foi resgatado pela organização Bachpan Bachao Andolan (Movimento para Salvar a Infância), do Nobel da Paz Kailash Satyarthi, e passou a viver em um dos abrigos mantidos pelo grupo. Hoje com 18 anos, Ansari estuda direito em Nova Délhi e diz querer tornar-se advogado para defender os direitos das crianças. "Kailash é meu pai, um homem de grande alma. Graça a ele eu fui resgatado, mas as condições nas minas não mudaram. O mundo precisa fazer alguma coisa porque toda criança deve ir para a escola e receber amor", diz. "Crianças são traficadas dos vilarejos para a cidade porque não há escolas ou hospitais na zona rural." 

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