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Manchas em roupas de auxiliar de Nisman passam por perícia

Peças foram recolhidas quase dois meses após morte de promotor, sinal de falha na apuração, segundo especialista

Rodrigo Cavalheiro - CORRESPONDENTE / BUENOS AIRES, O Estado de S. Paulo

08 de abril de 2015 | 19h43

Roupas apreendidas pela promotoria argentina no dia 10 de março em uma operação na casa de Diego Lagomarsino, auxiliar de informática do promotor Alberto Nisman, têm manchas que passarão por perícia. 

Nisman foi encontrado morto em 18 de janeiro com uma bala na cabeça, no banheiro de seu apartamento em Buenos Aires. O disparo saiu de um revólver calibre 22 que Lagomarsino diz ter emprestado na véspera ao promotor, que investigava o maior atentado da história argentina, que deixou 85 mortos em 1994.

Dizendo-se confiante em relação à inocência de Lagomarsino, seu advogado abriu mão de uma perícia própria sobre as roupas e sapatos, que serão examinados pelo laboratório químico da Polícia Federal. “Estamos tão tranquilos que nem pedimos para acompanhar a perícia. Alguém pode manchar uma roupa de inúmeras formas. É mais uma tentativa de perder tempo que seria importante para a investigação”, disse o advogado Maximiliano Rusconi. 

As roupas foram apreendidas com computadores, videogames e outros equipamentos eletrônicos quase dois meses depois da morte, a pedido da ex-mulher de Nisman, a juíza Sandra Arroyo Salgado. 

“É um absurdo que só seja feita agora a perícia sobre essas roupas, mas é uma obrigação fazê-la. Tudo neste caso está sendo feito em prazos estranhos e pouco profissionais”, disse ao Estado o especialista em medicina legal Enrique de Rosa Alabaster. “Isso leva à desaparição do mais importante em criminalística, os dados objetivos”, critica.

A ex-mulher de Nisman encomendou uma perícia privada que assegura ter havido um assassinato e situa a morte na noite de sábado, dia 17 de janeiro, dentro da faixa horária em que Lagomarsino visitou o apartamento no bairro de Puerto Madero. Peritos oficiais afirmam que o promotor morreu na manhã do dia seguinte, em uma linha de investigação que indica um suicídio.

Lagomarsino, indiciado por ter emprestado a arma, afirmou há três semanas que Nisman ficava com metade de seu salário de 41 mil pesos (R$ 12 mil). Ele também disse ser um dos titulares de uma conta-corrente nos EUA, ao lado da irmã e da mãe do promotor. Ele revelou a relação financeira com Nisman, incompatível com suas atribuições formais, depois de Sandra insinuar que a morte do pai de suas duas filhas tinha relação com dinheiro.  

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