Manchas na roupas de auxiliar de Nisman não são de sangue

Presidente da Corte Suprema cobra resultado na investigação e critica casos sem solução em que culpa recai na vítima

RODRIGO CAVALHEIRO, CORRESPONDENTE / BUENOS AIRES, O Estado de S.Paulo

14 de abril de 2015 | 02h02

Não são de sangue as manchas encontradas na roupa do técnico em informática argentino Diego Lagomarsino, que trabalhava para o promotor Alberto Nisman, encontrado morto no dia 18 de janeiro com um disparo na cabeça no banheiro de seu apartamento em Buenos Aires. O resultado da perícia foi divulgado ontem pela agência DyN.

As peças analisadas por peritos estatais foram apreendidas pela promotoria em 10 de março na casa do auxiliar de Nisman. A operação foi feita a pedido da ex-mulher do promotor, a juíza federal Sandra Arroyo Salgado, que ingressou na ação como parte interessada no processo e tem travado com a promotora Viviana Fein, encarregada de elucidar a morte, uma disputa paralela à investigação. Ontem, Sandra pediu novamente o afastamento de Viviana da causa, solicitação rejeitada na semana passada pela juíza responsável, Fabiana Palmaghini. A ex­mulher do promotor acredita que a investigação oficial tenta provar que ele se matou. Viviana diz que a juíza está atrapalhando o avanço da apuração.

Especialistas a serviço da ex de Nisman garantem ter evidências de um assassinato e situam a morte na noite de sábado, dia 17 de janeiro, dentro da faixa horária em que Lagomarsino visitou o apartamento. As roupas submetidas ao teste foram as que ele usava ao sair do condomínio Le Parc, onde o promotor vivia, no luxuoso bairro de Puerto Madero. O resultado negativo era esperado pela defesa, que nem mesmo encomendou uma análise própria.

Lagomarsino alega ter emprestado ao promotor a pistola calibre 22 da qual saiu o disparo e deixado o apartamento às 20 horas. Sua defesa argumenta ainda que o computador de Nisman foi ligado no domingo de manhã, sugerindo que a morte não pode ter ocorrido na véspera. Os investigadores a serviço de Viviana também afirmam que o promotor morreu na manhã do dia 18, em uma linha de investigação que indica suicídio.

Pressão. O presidente da Corte Suprema, Ricardo Lorenzetti, pediu ontem o esclarecimento da morte de Nisman. "Não quero julgar o que faz a promotora porque não me cabe, mas acredito que é o momento de chegar a definições concretas", afirmou à rádio La Red. Embora não tenha dito acreditar que houve um homicídio, Lorenzetti afirmou que "muitos casos de assassinato não se resolvem ou terminam em questões secundárias" e "as vítimas acabam sendo culpadas".

O promotor foi encontrado morto quatro dias depois de denunciar o governo de Cristina Kirchner por acobertamento de iranianos acusados de praticar em 1994 o atentado contra a Associação Mutual Israelita-Argentina (Amia), com 85 mortos. O governo kirchnerista, com quem Lorenzetti mantém uma relação tensa, tem atacado não só o conteúdo da denúncia de Nisman (rejeitada duas vezes na Justiça), mas também seu comportamento privado.

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