Mandela propõe inspiração em Gandhi na busca pela paz

Nelson Mandela, ícone da luta contra o apartheid na África do Sul, participou na segunda-feira de um evento que propõe a retomada da abordagem pacífica de Mahatma Gandhi para resolver conflitos mundiais. Mandela - que passou 28 anos na prisão por combater o regime branco antes de se tornar o primeiro presidente negro da história da África do Sul em 1994 - disse que a não-violência de Gandhi, que há 60 anos resultou no fim do colonialismo britânico na Índia, era uma inspiração. "Sua filosofia contribuiu de forma nada acanhada para provocar uma transformação pacífica na África do Sul e para curar as destrutivas divisões humanas que foram provocadas pela abominável prática do apartheid", disse Mandela. O líder sul-africano de 88 anos falou por link de satélite da África do Sul a uma conferência que celebrava o centenário da "satyagraha", o movimento não-violento iniciado em 11 de setembro de 1906 por Gandhi em Johanesburgo, onde ele advogava. Gandhi viveu entre 1893 e 1914 na África do Sul, onde manteve intenso ativismo político. Referindo-se a ele como "guerreiro sagrado", Mandela disse que Mahatma combinava ética e moral com uma férrea disposição em rejeitar concessões ao opressor, no caso, o Império Britânico. "Num mundo guiado pela violência e o conflito, a mensagem de paz e não-violência de Gandhi detém a chave para a sobrevivência humana no século 21", disse Mandela. "Ele acreditou corretamente na eficácia de opor a força solitária do satyagraha à força bruta do opressor, convertendo o opressor para o ponto correto e moral". Gandhi é reverenciado no mundo todo por sua mensagem de tolerância e paz que levou milhões de indianos a desobedecerem as leis coloniais, o que acabou levando a Grã-Bretanha a conceder a independência à Índia após cerca de três anos de domínio. Sonia Gandhi (que não tem parentesco com o Mahatma), presidente do Congresso Nacional Indiano, principal partido do governo, também participou do evento, junto com os ex-presidentes Lech Walesa (Polônia) e Kenneth Kaunda (Zâmbia) e do economista bengalês Mohamad Yunnus, Nobel da Paz em 2006. Sonia disse a cerca de 400 delegados, entre os quais chefes de governo, lideres religiosos e parlamentares, que o fim da Guerra Fria não trouxe a paz que Gandhi esperava. Segundo ela, é natural questionar a viabilidade da filosofia de Gandhi nos dias de hoje, mas ainda é possível usá-la como ferramenta e adaptá-la à resolução de conflitos. "Seria um grave erro eliminar a abordagem gandhiana, considerando-a irrelevante para nossa era", disse ela.

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.