Mandela visita líbio condenado por atentado de Lockerbie

O ex-presidente sul-africano Nelson Mandela visitou nesta segunda-feira uma prisão escocesa para ver o líbio condenado pela explosão do avião da Pan Am sobre a localidade de Lockerbie, na Escócia, em 1988, e disse que o prisioneiro está recebendo um tratamento injusto. Após visitar durante mais de uma hora Abdel Basset al-Megrahi na prisão de Barlinnie, Mandela sugeriu que as autoridades britânicas poderiam permitir que o condenado cumprisse a sentença em um país islâmico como Marrocos, Tunísia ou Egito. "Megrahi está sozinho", disse Mandela. "Ele não tem ninguém para conversar. Este é um tipo de perseguição psicológica que ele terá de enfrentar durante o longo tempo que passará na prisão". Mandela, que ficou mais de 20 anos preso, disse que al-Megrahi estava sendo maltratado por companheiros de prisão. "Ele disse que é bem tratado pelos funcionários, mas que tem sido maltratado quando faz exercícios ao lado de companheiros de prisão", disse Mandela. Segundo o ex-presidente sul-africano, o líbio deveria ter o direito de apelar ao Tribunal Europeu de Direitos Humanos.Al-Megrahi, ex-agente de inteligência líbio, foi considerado culpado por assassinato e condenado no ano passado à prisão perpétua sem direito a recorrer da pena durante 20 anos. Um outro líbio acusado foi libertado. Em março, a Justiça negou uma apelação de al-Megrahi contra sua condenação. Ele está detido em uma cela individual, num local que os outros presos denominaram de "Café Kadafi".Mandela desempenhou um papel-chave ao persuadir o líder líbio Muammar Kadafi a entregar dois suspeitos pelo atentado de Lockerbie, em que morreram 270 pessoas, das quais 189 eram cidadãos americanos. Quando os repórteres lhe perguntaram se ele se arrependia dos esforços para levar al-Megrahi perante a corte, Mandela respondeu: "Não. Por quê deveria me arrepender? Minha intervenção foi pensando nos parentes das vítimas, que queriam que fosse feita justiça - mas justiça de acordo com os princípios da lei". O líder sul-africano disse que, de acordo com uma revisão do caso feita por uma comissão de quatro juízes da Organização da Unidade Africana (OUA), esse princípios foram aparentemente ignorados no caso. Mandela foi levado à prisão para ser reunir com al-Megrahi pelo advogado do condenado, Eddiew MacKennie, que disse que vai prosseguir em sua campanha para provar a inocência de seu cliente.

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