Manifestação contra preços no Haiti deixa quatro mortos

Quatro pessoas morreram no suldo Haiti quando manifestantes protestando contra o alto custode vida no país entraram em confronto com forças de segurança,disse uma autoridade local na noite sexta-feira. A Organização das Nações Unidas informou que osmanifestantes realizaram o protesto na cidade de Les Cayes, naquinta-feira, queimando lojas, atirando em tropas de paz esaqueando contêineres em um complexo da ONU. "Pelo menos quatro pessoas morreram e cerca de outras 20ficaram feridas", disse Gabriel Fortune, um senador do sul, quecondenou o comportamento violento dos manifestantes. "O movimento começou bem, mas foi estragado pela frustraçãode alguns criminosos que não têm nada a ver com as exigênciaslegítimas da população", acrescentou Fortune. O Haiti, país mais pobre da América Latina, recebe desde2004 uma missão de paz da ONU liderada pelo Brasil com cerca de9.000 militares e policiais civis. Nos últimos meses, o país passava por um períodorelativamente tranquilo, embora a volta dos sequestros e deoutros crimes tenham preocupado a ONU. O preço dos alimentos no Haiti elevou-se nos últimos meses,causando revolta contra o governo do presidente René Préval. A eleição de Préval em 2006 trouxe expectativas de que opaís finalmente iniciaria um período de estabilidade, apósdécadas de turbulência que culminaram com a queda doex-presidente Jean-Bertrand Aristide em fevereiro de 2004. Um clima tenso tomava conta de Les Cayes após os conflitose as tropas da ONU, que tentam manter a paz no país caribenho,enviaram 100 soldados para reforçar a região, informou umcomunicado da ONU. Um pequeno grupo de manifestantes invadiu uma instalação daONU em Les Cayes, danificando o portão principal e ignorandotiros de alertas disparados pelos soldados, acrescentou ocomunicado. "Os manifestantes também queimaram lojas em Les Cayes,atiraram pedras e dispararam com armas em alguns soldados depaz durante a noite", afirmou a ONU. Pelo menos dois veículos da ONU foram queimados. Osmanifestantes atiraram pedras em carros e ao menos uma mulherfoi violentada, de acordo com autoridades locais e informaçõesde emissoras de rádio. "Esta fome é insuportável e o governo precisa agir agora,senão queimaremos e destruiremos tudo", gritou um manifestanteao microfone de um repórter local. Em entrevista coletiva, o primeiro-ministro Jacques EdouardAlexis denunciou o que chamou de manipulação dos protestos."Sabemos que, no meio desses manifestantes, havia pessoasinfiltradas ligadas a traficantes de drogas e outroscontrabandistas", disse, pedindo para que cessem os protestos. Alexis afirmou que o governo destacou imediatamente cercade 10 milhões de dólares para ajudar a combater o alto custo devida. Ele anunciou a criação de empregos e programas de créditoe disse que os alimentos seriam distribuídos e os preços dosfertilizantes cortados pela metade. O secretário-geral da ONU, Ban Ki-moon, pediu nesta semanaà comunidade internacional e a líderes haitianos que mantenhamseus esforços para trazer estabilidade ao país. "O potencial deretrocesso permanece", afirmou. (Reportagem adicional de Michael Christie em Miami)

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.