Manifestação deixa um morto no Paquistão

A polícia paquistanesa entrou neste domingo em choque com manifestantes na cidade de Jacobabad, no Estado de Sindh, oeste do país. Pelo menos um manifestante morreu e outros 12 ficaram feridos nos confrontos, durante os quais policiais lançaram bombas de gás lacrimogêneo para dispersar o protesto. O aeroporto da cidade foi cedido pelo governo do Paquistão às forças norte-americanas para operações logísticas da campanha antiterror liderada pelos Estados Unidos. Segundo a tevê paquistanesa, 300 manifestantes foram presos. O Exército paquistanês está enviando mais soldados à Jacobabad para reforçar a segurança. Fontes militares consultadas pela Agência Estado em Islamabad negaram-se a informar qual o contingente de soldados paquistaneses deslocado para a região, mas estima-se que até 5.000 soldados chegarão a Jacobabad e a Pasni - na região tribal semiautônoma do Baluchistão, onde o aeroporto local também foi posto à disposição da coalizão antiterror - antes da chegada dos norte-americanos. Após os choques com os manifestantes, os militares paquistaneses que já estão em Sindh instalaram dezenas de postos de controle num raio de até 20 quilômetros do aeroporto e cercam fortemente a área. O Exército anunciou que cumprirá à risca a ordem para evitar protestos de grupos radicais islâmicos contra a presença norte-americana no território do paquistanês. O presidente do Paquistão, Pervez Musharraf, duramente criticado por esses grupos islâmicos pelo apoio que vem dando à coalizão liderada por Washington, tem reiterado que as bases aéreas cedidas aos americanos não serão utilizadas para o lançamento de ataques contra o Afeganistão. Segundo ele, as tropas que ocuparão os aeroportos estão autorizadas apenas a lançar operações logísticas de emergência, como o recolhimento de cadáveres e o eventual resgate de militares norte-americanos em território afegão. Ao mesmo tempo, nas duas maiores cidades paquistanesas próximas da fronteira com o Paquistão, líderes do maior partido islâmico do país, o Jamiat-i-Islamiya, voltaram a acusar hoje os EUA e a Grã-Bretanha de assassinato após a chegada da notícia de que centenas de civis morreram num bombardeio ao vilarejo de Kadam, 40 quilômetros a leste da cidade afegão de Jalalabad, perto da fronteira com o Paquistão. Citando a rede de TV do Catar Al-Jazeera, os mulás do Jamiat-i-Islamiya afirmaram que os mortos em Kadam são mais de 200. "Quase todos os moradores de Kadam foram mortos no bombardeio", informou, de Cabul, o correspondente da Al-Jazeera Tayseer Alluni, que ressaltou o fato de que não havia nenhuma instalação militar nas imediações do vilarejo. "Mais de 160 corpos mutilados já foram retirados dos escombros." O Pentágono confirmou ter atacado equivocadamente Kadam e pediu desculpas pelo erro. De Jalalabad, para onde foi levada a maior parte dos sobreviventes do ataque, os reponsáveis pelo único hospital local queixaram-se da precariedade das condições de trabalho em outra reportagem da Al-Jazeera reproduzida pela TV BBC, de Londres. "Nosso equipamento é mínimo, faltam medicamentos e já não temos mais antibióticos", disse um funcionário do hospital. Segundo informações provenientes da fronteira entre o Paquistão e o Afeganistão, a cidade afegã de Kandahar estava hoje sem energia elétrica, depois de ser bombardeada por sete horas consecutivas. A TV estatal paquistanesa não tem reproduzido, como fazia havia algumas semanas, as reportagens da Al-Jazeera em seus noticiários. Aparentemente, o governo teme que a exibição das imagens acirre os ânimos dos ativistas islâmicos que, na semana passada, promoveram protestos violentos na maior parte do país. Cinco pessoas morreram em choques com a polícia na segunda-feira em Quetta, onde bancos e edifícios da Organização das Nações Unidas (ONU) foram atacados. Na sexta-feira, em Karachi, outro ativista morreu e uma lanchonete da rede americana KFC foi destruída. Novas manifestações estão previstas para o começo desta semana em protesto contra a visita do secretário de Estado norte-americano, Colin Powell. Musharraf, que no fim de semana completou dois anos de governo - depois de ter tomado o poder em outubro de 1999 por meio de um golpe de Estado contra o então primeiro-ministro Nawaz Sharif - vem advertindo reiteradamente que não permitirá manifestações de grupos islâmicos que contenham mensagens subversivas, convoquem a população à violência ou preguem o ódio ao Ocidente. Fontes do Taleban citadas pelo jornal paquistanês em língua inglesa The News International confirmaram informações segundo as quais um filho do líder da milícia islâmica do Afeganistão, o mulá Mohammed Omar, morreu na semana passada num hospital de Kandahar. O filho de Omar ficou gravemente ferido no primeiro dia de ataques, quando seu carro, uma minivan Chevrolet Suburban, foi atingido por um míssil norte-americano. O embaixador do Taleban em Islamabad, Abdul Salam Zaeef, viajou no sábado para Kandahar para reunir-se com os líderes da milícia. Fontes do governo paquistanês desmentiram que ele estivesse levando ao Teleban uma mensagem de Pervez Musharraf.

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