Manifestação em Moscou relembra jornalista assassinada

Centenas de pessoas se reuniram nesta sábado, 7, na praça central Pushkin de Moscou para lembrar a jornalista russa Anna Politkovskaya, assassinada há seis meses na porta de sua casa.Os participantes, que levavam retratos de Politkovskaya, velas e flores, exigiram das autoridades uma investigação exaustiva do assassinato político que teve repercussão internacional.Os manifestantes também lembraram outros repórteres e políticos assassinados nos últimos anos e pediram à Prefeitura que dê a uma rua da capital russa o nome de Alameda dos Jornalistas Mortos.Também prestaram homenagem às vítimas de crimes de guerra, como o massacre de Samashki - povoado checheno onde, há 12 anos, o Exército russo matou centenas de civis, fuzilados, dinamitados, enforcados ou queimados vivos."Nenhum dos assassinatos políticos ocorridos nos últimos anos foi esclarecido pelas autoridades", denunciou no comício Grigori Yavlinski, líder do partido liberal de oposição Yabloko, que afirmou que as autoridades "não têm vontade política" para fazê-lo.Yavlinski acrescentou que "a liberdade de imprensa na Rússia está restringida", e que na televisão e nos demais meios de comunicação há uma "rigorosa censura" da qual só escapam os veículos que não exercem nenhuma influência política e social.Yavlinski vinculou o endurecimento do controle estatal sobre a sociedade às eleições parlamentares que acontecerão em dezembro deste ano e ao pleito presidencial de março de 2008, quando os russos elegerão o substituto do atual chefe de Estado, Vladimir Putin.Politkovskaya, jornalista do jornal liberal de oposição "Nóvaya Gazeta", publicado quinzenalmente, e uma das vozes mais críticas da política do Kremlin na Chechênia, foi assassinada no dia 7 de outubro.O assassinato aconteceu quando a jornalista preparava um artigo sobre torturas sistemáticas na Chechênia, que foi publicado pelos companheiros de trabalho cinco dias após sua morte.Durante visitas a Moscou, a secretária de Estado americana, Condoleezza Rice, e a comissária de Relações Exteriores européia, Benita Ferrero-Waldner, exigiram uma investigação profunda do assassinato.Politkovskaya, nascida em Nova York em 1958 em uma família de diplomatas soviéticos de origem ucraniana, tinha cidadania russa e americana.Há algumas semanas, o presidente da União de Jornalistas da Rússia (UPR), Igor Yakovenko, assegurou que "214 profissionais da informação morreram na Rússia desde 1993"."Só em cinco desses casos o culpado foi punido e em nenhum deles o organizador foi encontrado", disse.Condecorada com inúmeros prêmios internacionais por seu trabalho, Politkovskaya publicou três livros.O procurador-geral da Rússia, Yuri Chaika, afirmou em 29 de março que os resultados da investigação deste assassinato "são muito bons" e serão revelados "nas próximas semanas", mas não deu mais detalhes.Putin também anunciou em dezembro "resultados concretos" na investigação, mas as autoridades ainda não os revelaram.A organização Repórteres Sem Fronteiras (RSF) declarou na quinta-feira que, se não forem apresentados elementos conclusivos do caso, será necessário organizar uma comissão de investigação internacional."As declarações da Promotoria russa não dão nenhuma garantia de que o terrível assassinato será esclarecido", indicou os RSF em comunicado emitido por ocasião dos seis meses do assassinato de Politkovskaya.

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