Manifestação reúne milhares em Caracas

Objetivo é mostrar ao governo de Maduro que mobilização continuará; Justiça liberta 41 detidos na sexta-feira, incluindo fotógrafa italiana

CARACAS, O Estado de S.Paulo

03 de março de 2014 | 02h02

Milhares de venezuelanos participaram ontem de uma marcha em Caracas para mostrar ao governo de Nicolás Maduro que a oposição continuará mobilizada e para exigir transparência do presidente na proposta de diálogo. Houve confronto com a polícia em Caracas, onde 17 pessoas ficaram feridas, e em Mérida, que registrou 4 feridos.

Na capital, munidos de apitos e cornetas, os manifestantes levavam bandeiras da Venezuela e cartazes antichavistas. Eles pediram a libertação dos detidos durante os últimos protestos e o fim da repressão. No início da noite, os estudantes voltaram a erguer barricadas, queimar pneus e lançar pedras contra a Guarda Nacional, que respondeu com bombas de gás lacrimogêneo.

O líder estudantil Juan Requesens afirmou a jornalistas que Maduro deve explicar "como será a reunião" que propôs nos últimos dias com os manifestantes. "Não podemos garantir se iremos a Miraflores (sede do governo) para participar de um circo ou um show em torno de uma proposta de paz do governo", disse, argumentando que faltavam ainda muitos detalhes sobre o encontro.

No sábado, o vice-presidente, Jorge Arreaza, insistiu que a oferta de diálogo proposta por Maduro é "sem condição nenhuma" para discutir as reivindicações das ruas.

Além de demandas por soluções para os problemas do país, como insegurança, inflação e falta de abastecimento, a mobilização exige a libertação de presos, como o líder opositor Leopoldo López, mantido em uma prisão militar.

Ontem, a Justiça venezuelana libertou 41 detidos durante protestos na noite de sexta-feira - entre eles, a fotógrafa italiana Francesca Commissari, colaboradora do jornal local El Nacional.

Comissari confirmou a informação em seu perfil no Twitter. Ela denunciou que durante a prisão, seu equipamento fotográfico desapareceu. O diretor do Sindicato Nacional dos Trabalhadores da Imprensa (SNTP, na sigla em espanhol), Marco Ruiz, acusou o governo de tentar silenciar a imprensa internacional como faz com a nacional.

Segundo uma contagem da ONG Foro Penal Venezuelano, desde 9 de fevereiro, 863 pessoas já foram presas em razão dos protestos na Venezuela. Ainda que a maioria já tenho sido libertada, 30 continuam detidas.

Opositores e ONGs têm denunciado o uso excessivo da força por parte da polícia para dispersar os protestos. O Foro Penal Venezuelano denunciou pelo menos "33 casos de casos de abusos e torturas".

Alegria. Enquanto isso, o presidente Maduro divulgou pelo Twitter fotos de praias e de carnaval, dizendo que o povo está dando "uma lição" àqueles que querem proibir o carnaval e "atacar a felicidade" dos venezuelanos.

"Definitivamente, a Venezuela está dando uma lição àqueles que quiseram proibir o carnaval e violentar a felicidade do povo. Viva a paz", escreveu Maduro em seu perfil no microblog. O presidente afirmou ainda que este mês consolidará "a vitória da paz sobre a violência, do amor sobre o ódio" "Vencerá a democracia, a vida, a pátria", disse. / EFE e AFP

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